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O governo, liderado pelo partido Nova Democracia (centro-direita), defende que a medida visa modernizar a legislação laboral e adaptar o país às novas dinâmicas do mercado de trabalho, garantindo, segundo o Executivo, que o prolongamento do horário é opcional, aplicável apenas ao setor privado e limitado a 37 dias por ano.

A ministra do Trabalho, Niki Kerameus, afirmou, citada pela BBC, que a reforma “alinha a Grécia com as realidades modernas do mercado” e que “os trabalhadores não poderão ser despedidos por recusarem fazer horas extra”. O diploma também estabelece um limite anual de 150 horas de trabalho suplementar e mantém a semana padrão de 40 horas.

Com a nova lei, os trabalhadores poderão optar por fazer mais horas junto do mesmo empregador em troca de 40% de remuneração adicional, o que o governo considera uma forma de evitar que recorram a vários empregos a tempo parcial.

A medida foi aprovada apenas com os votos do partido do governo, enquanto o PASOK (centro-esquerda) votou contra e o Syriza (esquerda) optou pela abstenção.

Os sindicatos e a oposição reagiram com indignação, classificando o diploma como um “retrocesso civilizacional”. O partido Syriza considerou-o um “monstro legislativo”, enquanto a federação sindical do setor público, ADEDY, acusou o governo de “abolir o dia de trabalho de oito horas” e “legalizar a sobre-exploração”.

A lei surge num contexto em que os gregos já trabalham mais horas do que qualquer outro povo da União Europeia, com uma média de 39,8 horas semanais, segundo dados da Eurostat. Apesar disso, o salário mínimo nacional é de 968 euros por mês, um dos mais baixos da UE, e a taxa de desemprego permanece nos 8,1%, acima da média europeia de 5,9%.

Após uma década de crise financeira, encerrada em 2018, a Grécia tenta agora consolidar a recuperação económica, mas os baixos salários e o elevado custo de vida continuam a penalizar os trabalhadores, que agora enfrentam um novo e controverso modelo laboral.

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