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É verdade que homens e mulheres não sentem o enfarte da mesma forma. Ao 24notícias, Miguel Borges Santos, cardiologista do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, explica que "enquanto os homens com enfarte agudo do miocárdio costumam apresentar dor torácica isolada e sudação marcada, as mulheres têm maior tendência para uma diversidade de sintomas que não são dores no peito”.
Embora a dor no peito continue a ser o sinal mais frequente em ambos os sexos, o especialista explica que, nas mulheres, sobretudo em idades mais avançadas, o enfarte pode manifestar-se de forma menos evidente. “Pode surgir apenas como cansaço no centro do peito, falta de ar súbita, náuseas ou vómitos, palpitações, tonturas ou até uma sensação de morte iminente”, refere.
Esta diversidade de sintomas leva a que muitas mulheres interpretem os sinais erradamente como não sendo cardíacos, "por exemplo que se trata de stress ou ansiedade ”, acrescenta o cardiologista. Esta perceção errada estende-se também aos profissionais de saúde, contribuindo para atrasos ou falhas no diagnóstico.
O sinal de alerta mais frequente é o desconforto no centro do peito, que deve ser valorizado quando dura mais de 15 a 20 minutos. “Não tem de ser uma dor intensa. Pode ser um peso ou aperto, muitas vezes descrito como se algo estivesse a esmagar o peito”, explica Miguel Borges Santos. Ao contrário do que dita a crença popular, esta dor não surge necessariamente no lado esquerdo.
O desconforto pode ainda irradiar para o pescoço, ombro esquerdo ou braço esquerdo, sendo comum a pessoa ficar pálida e suar intensamente, sem esforço físico. Nas mulheres, surgem com maior frequência queixas como indigestão, dor na boca do estômago, enjoos ou vómitos, o que leva muitas a acreditar que “comeram algo que caiu mal”.
O risco de enfarte também varia ao longo da vida. Nos homens, aumenta mais cedo, geralmente a partir dos 40 ou 45 anos. Nas mulheres, o risco cresce sobretudo após a menopausa, entre os 55 e os 60 anos. “Esta diferença está relacionada com o efeito protetor dos estrogénios”, explica o especialista. Com a diminuição destas hormonas, o risco cardiovascular sobe rapidamente, igualando o dos homens por volta dos 65 anos.
Perante um possível enfarte, o cardiologista não deixa dúvidas: “Cada minuto conta”. A primeira medida deve ser ligar imediatamente para o 112. “Não se deve transportar a pessoa no carro próprio, nem deixá-la andar ou subir escadas”, alerta. O doente deve ser colocado numa posição confortável e tranquilizado, uma vez que o stress agrava o esforço do coração.
Se a pessoa deixar de responder e parecer não respirar, deve iniciar-se de imediato a massagem cardíaca, "carregar forte e rápido no centro do peito cerca de 100-120 vezes por minuto) até a ajuda chegar", explica o médico.
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