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Embora o reforço dos rastreios tenha levado a mais diagnósticos em fases iniciais, essa mudança não explica o crescimento global da doença nesta faixa etária. Nos EUA, o aumento dos casos começou a ser notado desde meados da década de 1990 e afeta tanto cancros em fase inicial como em fase avançada. Segundo se pode ler, no site da SPED, "há vários fatores conhecidos que alteram o risco de desenvolvimento de cancro colorretal. Alguns, como a idade, síndromes genéticas, ou a história familiar de cancro, não podem ser alterados. Outros, conhecidos como fatores de risco modificáveis, incluem o consumo de tabaco ou álcool, a pouca atividade física, a dieta pobre em fibras e a obesidade."

De acordo com a CNN, em 2018, a American Cancer Society atualizou as diretrizes para o rastreio do cancro colorretal, recomendando que se inicie aos 45 anos (antes era aos 50). Três anos depois, em 2021, a força-tarefa de saúde pública dos EUA (US Preventive Services Task Force) fez a mesma recomendação. Estas mudanças têm facilitado o diagnóstico precoce, o que permite tratamentos menos agressivos e aumenta a probabilidade de sobrevivência.

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Também em Portugal, o rastreio do cancro colorretal assume particular importância, mesmo na ausência de sintomas, pois permite detetar a doença em fases precoces, quando o tratamento é mais eficaz, ou até identificar e remover lesões pré-cancerosas, como os pólipos, prevenindo assim o desenvolvimento do cancro. Contudo, para pessoas sem sintomas, sem história familiar de cancro colorretal em familiares de primeiro grau, sem síndromes genéticas associadas a maior risco e sem diagnóstico prévio de doenças inflamatórias intestinais como a doença de Crohn ou colite ulcerosa, o rastreio está recomendado entre os 50 e os 74 anos de idade.

Um novo estudo mostra que a percentagem de adultos entre os 45 e os 49 anos com rastreios em dia passou de cerca de 20% (em 2019 e 2021) para 33,7% em 2023. Nesse mesmo grupo, os casos de cancro diagnosticado em fase inicial subiram de 9,4 para 17,5 por 100 mil pessoas entre 2019 e 2022, um aumento de quase 50% num único ano.

Contudo, os especialistas alertam que os rastreios não explicam o aumento de casos em pessoas ainda mais jovens, ou os casos em fases mais avançadas. Estão em curso investigações sobre potenciais causas, incluindo fatores ambientais, consumo de alimentos ultraprocessados, exposição a microplásticos e outras mudanças no estilo de vida ocorridas nas últimas décadas. Ainda não se identificaram causas diretas.

Apesar das novas recomendações, mais de metade das pessoas diagnosticadas com cancro colorretal antes dos 50 anos ainda não têm idade para serem rastreadas. Por isso, é essencial estar atento aos sinais de alerta e procurar um médico perante sintomas persistentes.

Quais os sintomas?

O sintoma mais comum é sangue nas fezes, que ocorre em 41% dos doentes com menos de 50 anos, comparado com 26% nos mais velhos. Outros sinais incluem cólicas ou dor abdominal, alterações nos hábitos intestinais ou na forma das fezes, perda de apetite e emagrecimento inexplicável. Os especialistas sublinham a importância de insistir com os médicos, especialmente se os sintomas forem desvalorizados como hemorroidas, como acontece frequentemente com doentes mais jovens.

Um exemplo é o de Kelly Spill, diagnosticada com cancro do reto em estádio III aos 28 anos. Os seus sintomas foram inicialmente atribuídos ao pós-parto e a hemorroidas. Só após insistir e mostrar provas ao médico é que conseguiu uma colonoscopia, que confirmou o diagnóstico. Foi tratada com um medicamento de imunoterapia e está hoje curada. A sua história reforça a importância da autodefesa e de lutar por um diagnóstico adequado.

Como reduzir?

A melhor forma de reduzir o risco de cancro colorretal continua a ser a prevenção. Para além do rastreio a partir dos 45 anos, os especialistas recomendam adotar hábitos saudáveis: não fumar, manter um peso adequado, praticar atividade física, evitar álcool em excesso e seguir uma alimentação rica em fibras, frutas, legumes e cereais integrais. Deve-se também evitar carnes vermelhas e processadas, bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados. Mais de metade dos casos de cancro colorretal nos EUA são atribuídos a fatores modificáveis do estilo de vida, segundo a American Cancer Society.

Existem várias opções de rastreio para pessoas com risco médio, incluindo testes às fezes (anuais ou trianuais), colonoscopia tradicional (a cada 10 anos), colonoscopia virtual (a cada 5 anos) ou sigmoidoscopia (também a cada 5 anos). Um estudo recente demonstrou que enviar automaticamente um teste de fezes para casa, sem necessidade de pedido, aumenta significativamente a adesão ao rastreio, especialmente entre pessoas com menos acesso aos cuidados de saúde.

Apesar dos avanços, mais de um terço dos adultos com mais de 45 anos nos EUA ainda não está a ser rastreado como recomendado. Para combater esta realidade, os especialistas sublinham a necessidade de maior sensibilização, acesso facilitado aos testes e educação sobre os sintomas e fatores de risco.