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Os resultados do estudo foram publicados na revista científica PNAS e apresentados pela Fundação CRIS Contra o Cancro, que apoia a investigação. A abordagem baseia-se numa combinação de três fármacos que atuam em simultâneo sobre alvos considerados críticos no desenvolvimento e progressão do cancro do pâncreas.

Um desses alvos é o oncogene KRAS, responsável pelo início da doença e presente na maioria dos tumores pancreáticos. Os outros dois são as proteínas EGFR e STAT3, que desempenham um papel central na proliferação das células cancerígenas e na sua resistência aos tratamentos convencionais. Ao bloquear estes três mecanismos em conjunto, a terapia conseguiu provocar o desaparecimento total dos tumores nos animais testados.

Nos ensaios realizados, os tumores não só desapareceram como os animais permaneceram livres da doença durante mais de 200 dias após o fim do tratamento, sem sinais de toxicidade relevante. Trata-se de um resultado inédito em modelos experimentais deste tipo de cancro, considerado um dos mais difíceis de tratar, e que abre novas perspetivas para estratégias terapêuticas baseadas em combinações racionais de medicamentos.

O cancro do pâncreas é um dos tumores mais agressivos e letais, com uma taxa de sobrevivência a cinco anos inferior a 10%. Em Espanha, são diagnosticados mais de 10 mil novos casos por ano, número que continua a aumentar, o que torna particularmente relevante o impacto potencial desta investigação. Em Portugal, o cancro do pâncreas também está entre os tumores mais letais, ocupando atualmente o sexto lugar nas causas de morte por cancro, com cerca de 1.770 óbitos por ano. As projeções indicam que poderá tornar-se a segunda principal causa de morte oncológica até 2035. Todos os anos surgem entre mil e 1.800 novos casos, tratando-se de uma doença frequentemente descrita como “silenciosa”, devido à dificuldade de detetar sinais numa fase precoce. O diagnóstico ocorre, na maioria das situações, entre os 55 e os 79 anos.

Os próximos passos  da investigação passam pela realização de ensaios clínicos em humanos, um processo que exige financiamento adicional e aprovação das autoridades reguladoras. Embora alguns dos fármacos usados já estejam em fases avançadas de desenvolvimento, outros ainda não estão formalmente autorizados para esta indicação específica.

Mariano Barbacid, já em 1982 tinha isolado o primeiro oncogene humano, sublinha que este avanço não representa ainda uma cura para humanos, mas demonstra que uma abordagem baseada em ataques múltiplos e estratégicos ao tumor pode alterar de forma significativa o prognóstico de um cancro até agora marcado por opções terapêuticas muito limitadas. A Fundação CRIS Contra o Cancro reforça a importância da colaboração científica para acelerar a transição desta investigação para a prática clínica.

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