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A Coreia do Norte está a aplicar de forma cada vez mais severa a pena de morte, segundo um relatório recentemente divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, diz a BBC. Entre os crimes puníveis encontra-se agora o simples facto de assistir ou distribuir conteúdos audiovisuais estrangeiros, uma prática que o regime de Kim Jong Un considera ameaçadora para o controlo da informação dentro do país.

De acordo com a investigação, baseada em mais de 300 entrevistas a cidadãos que conseguiram escapar da Coreia do Norte na última década, o número de execuções públicas aumentou, muitas delas realizadas por esquadras de fuzilamento com o objetivo de espalhar o medo e dissuadir outros de desafiar a lei.

Uma das testemunhas ouvidas contou que três amigos foram executados após serem apanhados com material proveniente da Coreia do Sul. Num dos casos, uma jovem presenciou o julgamento de um colega de 23 anos condenado à morte por ter partilhado esse tipo de conteúdos.

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Desde 2015, o regime aprovou pelo menos seis novas leis que reforçam a possibilidade de aplicar a pena capital em várias circunstâncias. Além do consumo de media estrangeiros, outros comportamentos considerados ilícitos podem levar a condenações igualmente severas, equiparando estas infracções a crimes como o tráfico de droga.

O relatório descreve um país cada vez mais fechado ao exterior e com cidadãos sujeitos a vigilância constante. As tecnologias digitais permitiram às autoridades ampliar o controlo sobre a população, restringindo ainda mais a liberdade de expressão e a circulação de informação. “Nenhuma outra população no mundo enfrenta hoje restrições tão apertadas”, conclui o documento.

Outro dado alarmante apresentado pelas Nações Unidas refere-se ao aumento do recurso a trabalho forçado. Milhares de cidadãos, sobretudo oriundos de famílias pobres, são recrutados para as chamadas “brigadas de choque”, encarregues de obras de construção ou de mineração em condições perigosas. Em muitos casos, os trabalhadores perdem a vida devido ao esforço excessivo, sendo a sua morte exaltada pelo regime como um “sacrifício em honra de Kim Jong Un”. O relatório denuncia ainda a utilização de órfãos e crianças de rua neste tipo de atividades.