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O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a afirmar que os Estados Unidos estão dispostos a comprar a Gronelândia à Dinamarca, estimando que a operação poderia custar até 600 mil milhões de euros. A questão surge numa altura em que o vice-presidente JD Vance está de visita à ilha e onde irá reunir com políticos da Gronelândia e da Dinamarca.
Ao longo da reunião, a administração norte‑americana sublinhou a importância estratégica da Gronelândia para a segurança nacional dos EUA, citando preocupações com a Rússia e a China e propondo maior cooperação militar e diplomática. Washington insistiu na necessidade de discutir formas de reforçar a presença de defesa na região.
Numa publicação na rede social Truth Social, Trump sublinhou que qualquer solução que não envolva o controlo americano sobre o território "é inaceitável". "Os EUA precisam da Gronelândia para fins de segurança nacional. A NATO devia liderar este processo. Se não conseguirmos, Rússia ou China vão fazê-lo, mas isso não vai acontecer. Qualquer coisa menos que isso é inaceitável", escreveu.
O presidente norte-americano já tinha afirmado na semana passada que a Gronelândia "seria território dos EUA, pela forma mais fácil ou difícil". Contudo, a Dinamarca reafirmou que a ilha não está à venda, tornando o processo diplomático complexo. Apesar disso, segundo fontes norte-americanas, o secretário de Estado, Marco Rubio, terá recebido instruções para apresentar uma proposta formal de compra nas próximas semanas, em prioridade absoluta para Trump.
Importância estratégica e recursos naturais
A Gronelândia, maior ilha do mundo com 2.072.000 quilómetros quadrados, tem grande relevância geoestratégica e económica. Coberta por gelo em 81% da sua superfície, é rica em recursos minerais pouco explorados, incluindo terras raras, zinco, chumbo, prata, germânio e gálio.
A ilha situa-se no Ártico, mais próxima de Nova Iorque do que de Copenhaga, e alberga a base militar americana de Pituffik, essencial para o sistema de defesa antimíssil dos EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos mantiveram presença no território, mesmo após o fim do conflito.
Com cerca de 56.600 habitantes, a Gronelândia tem estatuto autónomo, parlamento e governo próprio, mantendo relações estreitas com a Dinamarca e acordos especiais com a União Europeia. O primeiro-ministro local, Jens-Frederik Nielsen, lidera o governo desde abril de 2025, enquanto o rei Frederico X é o chefe de Estado.
Apesar do interesse estratégico e económico, as autoridades gronelandesas reiteraram a posição de que a ilha não deseja tornar-se propriedade dos EUA. "Escolhemos a Gronelândia que conhecemos hoje, como parte do Reino da Dinamarca", declarou Vivian Motzfeldt, ministra dos Negócios Estrangeiros.
O território atrai interesse por estar situado entre o Atlântico Norte e o Ártico, próximo dos Estados Unidos, Canadá e Rússia, e por albergar minerais críticos para a tecnologia e defesa. Washington e Bruxelas têm assinado acordos de cooperação com a Gronelândia, antecipando a exploração futura dos recursos.
A eventual aquisição da Gronelândia, caso se concretize, seria a maior da história dos Estados Unidos, superando inclusivamente a compra do Alasca e territórios como a Califórnia, representando um investimento superior a metade do orçamento anual do Departamento de Defesa norte-americano.
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