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Depois de duas semanas marcadas por tensões crescentes com Washington, ministros de vários países europeus reúnem-se em Hamburgo para chegar a acordo sobre um reforço significativo da produção de energia eólica no Mar do Norte. O encontro culminará com a assinatura da chamada Declaração de Hamburgo, subscrita por Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Reino Unido, Países Baixos e Noruega, avança o Politico.

O compromisso prevê a construção conjunta de projetos de energia eólica offshore com uma capacidade total de 100 gigawatts, o equivalente à atual capacidade total de produção de eletricidade do Reino Unido.

Num artigo publicado esta segunda-feira, o secretário de Estado da Energia do Reino Unido, Ed Miliband, e o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, defendem que a produção interna de energia limpa é uma alternativa à crescente dependência europeia do gás natural liquefeito importado — grande parte proveniente dos Estados Unidos.

Segundo ambos, a forte dependência de combustíveis fósseis, independentemente da sua origem, fragiliza a segurança energética europeia e expõe o continente à volatilidade dos mercados internacionais e à pressão de atores externos.

Apesar da aposta na transição energética, o gás continua a representar quase um quarto do consumo energético europeu e permanece central para a indústria pesada. Além disso, nem todos os países e empresas europeias estão convencidos da necessidade de reduzir as importações de gás proveniente dos Estados Unidos.

Donald Trump tem explorado essa dependência. Na semana passada, no Fórum Económico Mundial, em Davos, criticou as turbinas eólicas e os países europeus que investem nelas, classificando-os como “perdedores”. A posição surge num contexto em que os Estados Unidos são atualmente o maior exportador mundial de gás natural liquefeito e em que as importações europeias de LNG norte-americano quadruplicaram desde que a União Europeia reduziu o fornecimento de gás russo.

O secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou em Davos que as exportações norte-americanas conseguiram substituir grande parte do gás russo e defendeu um futuro de comércio energético robusto com a Europa, dominado, no curto prazo, por exportações dos Estados Unidos. Wright apelou ainda à remoção de “barreiras” europeias, referindo o imposto carbónico nas fronteiras e regulamentos ambientais aplicáveis às empresas.

Inicialmente, o gás dos EUA foi visto por responsáveis europeus como uma solução essencial para reduzir a dependência energética da Rússia, em paralelo com o reforço das energias renováveis. No entanto, sob a atual administração norte-americana, essa dependência ganhou uma nova dimensão geopolítica.

A cimeira do Mar do Norte foi criada em 2022 precisamente como resposta à dependência do gás russo. A terceira edição decorre agora num contexto de receio, partilhado por analistas de energia, de que os Estados Unidos possam usar o gás como instrumento de pressão política, à semelhança do que fez a Rússia antes e depois da invasão da Ucrânia.

Estão previstas três declarações. A primeira, assinada pelos chefes de Estado e de Governo, compromete os países a cooperarem estreitamente na proteção de infraestruturas críticas. A segunda, subscrita pelos ministros da Energia, centra-se no reforço das redes elétricas necessárias aos parques eólicos offshore, incluindo financiamento e aceleração dos processos de planeamento. A terceira é um pacto conjunto de investimento em energia eólica offshore, envolvendo governos e grandes empresas do setor.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, afirmou que a transição energética é essencial porque as energias renováveis significam liberdade, menor dependência e menos vulnerabilidades.

Ainda assim, especialistas sublinham que a dependência atual de petróleo e gás não pode ser eliminada de forma imediata. A Comissão Europeia tem poderes limitados para determinar onde as empresas compram gás e a redução das importações de LNG dos EUA é considerada pouco provável no curto prazo.

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