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O mural, com três por seis metros, retrata no centro uma ave de rapina estilizada de asas abertas, com a cabeça adornada por motivos geométricos tridimensionais que ligam visualmente as faces norte e sul. A estrutura está coberta por frisos em alto-relevo e pintada em tons de azul, amarelo, vermelho e preto.

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Segundo a arqueóloga Ana Cecilia Mauricio, que lidera as escavações em Huaca Yolanda, no vale de Tanguche, região de La Libertad, a descoberta revela indícios claros de uma sociedade em transformação: “Os murais falam da emergência de uma hierarquia social no Peru, à medida que as sociedades se tornam mais complexas e evoluem para civilizações”, explicou ao The Guardian.

As representações incluem ainda peixes estilizados, redes de pesca, figuras mitológicas e estrelas, e oferecem um vislumbre da visão do mundo das antigas comunidades costeiras. Algumas cenas parecem mostrar a transformação de figuras humanas em aves, possivelmente relacionadas a rituais xamânicos com uso de plantas alucinogénias como o cato San Pedro.

A arqueóloga acrescentou que os líderes espirituais da época eram homens e mulheres com conhecimento de astronomia e medicina tradicional: “Adquiriram saberes e começaram a aperfeiçoá-los. Eram, de certa forma, cientistas, além de líderes espirituais e religiosos”.

O sítio arqueológico de Huaca Yolanda poderá mesmo anteceder Chavín de Huántar, um dos complexos cerimoniais mais estudados dos Andes. No entanto, enfrenta atualmente ameaças do avanço da agricultura, da urbanização e dos roubos, sem proteção integral das autoridades culturais.