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Nascido a 15 de janeiro de 1983, em Algueirão-Mem Martins, André Ventura cresceu numa família humilde. O pai era comerciante e a mãe secretária, e chegaram mesmo a ter dificuldades para suportar os estudos do filho.

Não foi batizado em criança mas, aos 14 anos, André Ventura aproximou-se da Igreja Católica. Frequentou o seminário menor de Nossa Senhora da Graça, e tencionava tornar-se padre, no entanto, um amor juvenil levou-o a abandonar a vocação religiosa. Mantendo a fé, integrou-se na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, onde viveu numa residência ligada à paróquia durante a licenciatura em Direito na Universidade Nova de Lisboa, concluída com 19 valores.

De académico a comentador desportivo

André Ventura doutorou-se em 2013 na Universidade de Cork, na Irlanda, com a tese "Towards a New Model of Criminal Justice System in the Era of Globalised Criminality" ("Para um novo modelo de sistema de justiça criminal na era da criminalidade globalizada"), financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

No trabalho, analisou políticas anti-terrorismo pós-11 de setembro, criticando o que designou como "lei criminal do inimigo" e alertando para o risco de expansão desproporcionada de poderes judiciais e policiais sobre minorias. Defendia a proteção das minorias e demonstrava preocupação com detenções sem provas concretas. Questionado sobre eventuais contradições entre esta visão académica e o seu atual discurso político, marcado por uma postura mais populista e punitiva, Ventura afirma que “a tese é ciência, a política é opinião”.

O candidato presidencial teve ainda uma carreira na administração pública, como inspetor da Autoridade Tributária e foi também consultor jurídico. Na academia, foi professor universitário de Direito durante mais de uma década.

O contacto com o público veio através da televisão, como comentador desportivo na CMTV, especialmente no programa Pé em Riste, destacando-se como adepto fervoroso do Benfica. Em 2016, lançou um livro sobre o clube, em colaboração com a apresentadora Maya, intitulado "50 Razões para Mudar para o Sport Lisboa e Benfica".

A vida política

Foi no PSD que André Ventura deu os primeiros passos na política , candidatando-se localmente em Sintra. No entanto, foi em Loures que ganhou projeção nacional, durante as autárquicas de 2017, que perdeu para Bernardino Soares do PCP. A campanha ficou marcada por declarações polémicas sobre a comunidade cigana, afirmando que viviam de subsídios do Estado e estavam protegidos por uma sensação de “impunidade” — um tema que se tornou bandeira da sua atuação política.

Após rupturas com a direção nacional do PSD, Ventura fundou o Chega em abril de 2019. O processo de formalização do partido foi conturbado: uma primeira entrega de assinaturas ao Tribunal Constitucional teve irregularidades, como nomes ilegíveis ou de pessoas falecidas, o que levou o Ministério Público a abrir uma investigação por suspeita de falsificação. O processo foi arquivado em setembro de 2021 por falta de provas.

O crescimento do Chega foi rápido: em 2019 elegeu o primeiro deputado; em 2022, o partido aumentou para 12 deputados; e em 2024 ultrapassou um milhão de votos. Em maio de 2025, após a queda do governo, o Chega tornou-se a segunda força política em termos de representação parlamentar, ultrapassando o PS.

Este crescimento trouxe também desafios internos, com saídas de figuras importantes e críticas à liderança de Ventura, como aconteceu com Gabriel Mithá Ribeiro, que qualificou o líder de “narcísico” por 29 vezes, num artigo de opinião publicado pelo Observador.

Ideias e posicionamentos

André Ventura é conhecido por ter um discurso direto e polarizador. Define-se como liberal a nível económico, nacionalista e conservador. Entre as suas propostas mais controversas estão a defesa da prisão perpétua e da castração química para pedófilos, bem como posições firmes contra a imigração ilegal. Recentemente, afirmou que "eram precisos três Salazares para pôr Portugal na ordem", durante uma entrevista à SIC, embora rejeite qualquer ligação ao Estado Novo, afirmando ser "democrata por natureza".

Um homem de letras

O presidente do Chega, que se descreve como "escritor e homem de letras" é também autor de dois romances publicados pela Chiado Editora. O primeiro, Montenegro (2008), tem como personagem principal Luís Montenegro que, por coincidência, partilha nome e apelido com o atual primeiro-ministro. Nesta ficção, um jovem ciclista que acabou de ganhar a Volta a Espanha descobre que tem SIDA, ao mesmo tempo em que se vê obrigado a lidar com os seus vícios em sexo e drogas. O segundo, A Última Madrugada do Islão (2009), reeditado em 2015, continua a explorar temas controversos e polémicos.

Candidatura presidencial de 2026

A candidatura de André Ventura a Belém não é inédita: em 2021 ficou em terceiro lugar, com 11,9% dos votos. Quatro anos depois, regressa, agora que tem mais peso no panorama político.

André Ventura apresenta-se como o candidato capaz de romper com o "velho sistema político", com propostas para a chamada "Quarta República" e alterações à Constituição, prometendo ser um presidente interventivo que não se limita a ser "uma jarra".

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