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A longa-metragem centra-se na história de amor entre William Shakespeare e Agnes, numa abordagem que se afasta da biografia tradicional para dar destaque à dimensão mais íntima e familiar do dramaturgo. Will surge como tutor de latim, profissão que exerce para ajudar a saldar as dívidas do pai, enquanto Agnes é apresentada como a mais velha de um grupo de irmãos que perdeu a mãe muito cedo, mas herdou dela um vasto conhecimento sobre a natureza e a cura, motivo pelo qual acaba por ser rotulada de “bruxa”.

O filme acompanha o início da relação do casal, a insatisfação de Shakespeare com a vida em Stratford e a decisão de partir para Londres, onde procura dar continuidade ao negócio do pai, ligado à produção de luvas, ao mesmo tempo que começa a afirmar-se como escritor e ator nas companhias de teatro da época.

Dessa união nascem três filhos: Susannah, a primogénita, e os gémeos Judith e Hamnet, sendo este último a figura que assume maior peso emocional na narrativa.

Baseado no romance homónimo de Maggie O’Farrell, Hamnet (2020), o argumento cruza elementos históricos com ficção, construindo uma reflexão sensível sobre o amor, a perda e a forma como a experiência pessoal pode transformar-se em criação artística. Na obra, e no filme, a morte de Hamnet, aos 11 anos, surge como um acontecimento determinante, sugerindo-se que terá inspirado Shakespeare a escrever Hamlet. Embora, historicamente, a causa da morte do rapaz permaneça desconhecida, a narrativa cinematográfica opta por retratá-la como consequência da peste bubónica.

Logo no início, é também sublinhado que, de acordo com registos de Stratford-upon-Avon, terra natal de Shakespeare, os nomes Hamnet e Hamlet são variações do mesmo nome, um detalhe que reforça a ligação simbólica entre a vida do autor e a sua obra.

Sem pretender ser um retrato histórico rigoroso, o filme aposta numa leitura emocional do processo criativo, propondo a arte como espaço de catarse e transformação da dor.

No discurso após vencer o prémio de Melhor Filme nos Globos de Ouro 2026, a realizadora Chloé Zhao — vencedora do Óscar de Melhor Realização com Nomadland — partilhou uma reflexão do ator Paul Mescal sobre a experiência de atuar em Hamnet, que sintetiza a visão do filme sobre a arte como espaço de vulnerabilidade e partilha emocional:

“Fazer Hamnet é perceber que a coisa mais importante em ser artista é aprender a ser vulnerável: permitir-se ser visto tal como se é, e não como se acha que deveria ser. É entregar-se ao mundo por inteiro — até nas partes de nós que nos envergonham, que tememos mostrar por serem imperfeitas. E quando fazemos isso, damos também aos outros a mesma permissão: a de se verem a si próprios.”

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Produzido por Steven Spielberg, o filme revisita uma das figuras mais universais da literatura, autor de Romeu e Julieta, Hamlet e Macbeth, a partir de uma perspetiva mais humana e íntima, onde a criação artística surge como resposta à dor e à perda.

Para além das interpretações dos protagonistas, com Jessie Buckley já distinguida com o Globo de Ouro de Melhor Atriz, destacam-se ainda os desempenhos dos irmãos Jacobi e Noah Jupe, que dão vida, respetivamente, a Hamnet e Hamlet.

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