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Zelensky abriu a sua intervenção evocando o filme americano Groundhog Day (em tradução portuguesa, "O Feitiço do Tempo"), lembrando que “todos se recordam do grande filme americano. Mas ninguém gostaria de viver assim, repetindo a mesma coisa durante semanas, meses e, claro, anos, e ainda assim é exatamente assim que vivemos agora”.

O líder ucraniano recordou que, há um ano, já tinha afirmado que “a Europa precisa de saber defender‑se”, mas que “um ano passou e nada mudou”, lamentando que desafios sucessivos desviem a atenção dos problemas que considera cruciais. “Todos voltaram a atenção para a Gronelândia, e está claro que a maioria dos líderes simplesmente não sabe o que fazer sobre isto. E parece que todos esperam que os Estados Unidos esfriem neste tema, esperando que passe. Mas e se não passar? E depois?”, questionou Zelensky perante os líderes reunidos em Davos.

Criticou também a resposta global às manifestações no Irão, afirmando que “houve tanto falar sobre os protestos no Irão, mas eles afogaram‑se em sangue” porque “o mundo não ajudou suficientemente o povo iraniano”, numa referência ao facto de a atenção pública ter estado centrada nas celebrações de Natal e de Ano Novo. “Quando os políticos regressaram ao trabalho e começaram a formar uma posição, o aiatolah já tinha matado milhares”, afirmou, acusando a resposta internacional de tardia.

Contrastando a incapacidade da União Europeia em manter foco e eficácia com a operação dos Estados Unidos na Venezuela, lembrando que, “apesar das diferentes opiniões sobre isso, Maduro está em julgamento em Nova Iorque — e Putin não está”. “E esta é o quarta ano da maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, e o homem que a começou não só está livre, como ainda está a lutar pelos seus activos congelados na Europa”, disse, numa crítica à postura europeia e à ausência de medidas mais duras contra Moscovo.

Zelensky também aludiu à recente dificuldade da União Europeia em avançar com a utilização de ativos russos congelados para a reconstrução e apoio à Ucrânia.

Sublinhou ainda o fraco progresso na criação de um tribunal especial para julgar crimes cometidos pela Rússia no contexto da guerra. “Muitas reuniões já aconteceram, mas ainda assim a Europa não chegou sequer ao ponto de ter um local para o tribunal com equipa e trabalho a acontecer dentro”, afirmou, questionando se o que falta é tempo ou vontade política e criticando a tendência europeia de priorizar outros assuntos em detrimento da justiça.

Zelensky criticou a falta de ação concreta da Europa em matéria de defesa e segurança, afirmando que “a Europa adora discutir o futuro, mas evita agir hoje, ação que definirá que tipo de futuro teremos”. O presidente ucraniano destacou a necessidade de “forças armadas europeias unidas que possam realmente defender a Europa” e questionou a fiabilidade da NATO caso Putin decida atacar algum país do bloco.

Finalizou abordando a passividade e as disputas internas entre líderes europeus, que “impedem a Europa de se unir e falar com honestidade para encontrar soluções reais”. O presidente assinalou que, apesar das sanções, a Rússia continua a receber apoio indireto da Europa para a produção de mísseis e criticou a tendência de muitos europeus de depender de outros para manter a defesa do continente, em vez de assumir responsabilidades próprias.

"E a Europa ainda parece mais uma geografia, uma história, uma tradição, e não uma força política real, nem uma grande potência. É verdade que alguns europeus são realmente fortes, mas muitos dizem que devemos manter-nos fortes e querem sempre que seja outra pessoa a dizer-lhes durante quanto tempo devem manter-se fortes, de preferência até às próximas eleições", disse.

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