Parolin, o número dois da hierarquia vaticana, falou à margem de um evento e fez uma referência clara aos relatos divulgados recentemente pelo Washington Post sobre esforços diplomáticos para obter um salvoconducto ou rota de saída segura para Maduro, antes da sua detenção pelas autoridades norte-americanas.

"Tentámos o que também apareceu em alguns jornais", declarou Parolin, reiterando que o Vaticano tem defendido desde o início uma solução pacífica para a crise no país sul-americano. "Sempre apoiámos uma solução pacífica", acrescentou, mas admitiu que a Santa Sé acabou por se confrontar com "um facto consumado, com uma situação de facto", numa alusão ao desenrolar dos acontecimentos políticos e à captura de Maduro pelas forças dos Estados Unidos no início de janeiro.

O cardeal descreveu a atual situação na Venezuela como de "grande incerteza" e expressou o desejo de que venha a evoluir "para a estabilidade, para uma recuperação económica", porque "a situação é muito precária e as pessoas sofrem". Parolin afirmou ainda que é necessária uma democratização do país, deixando transparecer a posição do Vaticano quanto ao futuro político venezuelano.

Embora Parolin não tenha explicado pormenores sobre as negociações ou os contactos mantidos, reportagens internacionais indicaram que parte dos esforços diplomáticos envolveu a exploração de opções de exílio para Maduro, incluindo uma proposta que envolveria garantias de segurança, possivelmente num país como a Rússia, antes da operação militar que resultou na sua detenção.

O Papa Leão XIV também tem abordado a crise venezuelana em discursos públicos recentes, apelando ao respeito pela vontade do povo venezuelano e à procura de soluções pacíficas para os conflitos que enfrentam.