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A SCO, que reúne China, Índia, Rússia, Paquistão, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Bielorrússia, além de 16 países observadores ou parceiros de diálogo, procura ampliar a sua influência política e económica na Ásia e no mundo, desafiando o peso tradicional dos Estados Unidos na região. Putin foi recebido com guarda de honra e cumprimentos das autoridades locais, incluindo Chen Min’er, secretário do Partido Comunista Chinês em Tianjin, e o embaixador russo em Pequim, Igor Morgulov, relata o The Guardian.

Durante a cimeira, o líder russo terá encontros bilaterais com o homólogo chinês Xi Jinping, considerado o seu aliado mais próximo, e com outros líderes globais, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. Está ainda a ser negociada uma possível reunião com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Segundo fontes diplomáticas, citadas pela Sky News, indicam que deverão ser assinados três acordos que pretendem reforçar a cooperação energética entre Moscovo e Pequim.

A visita culminará na quarta-feira com a participação de Putin ao lado de Xi Jinping na parada militar na Praça Tiananmen, que marca os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. O evento contará com a presença de Kim Jong-un e líderes de outros países aliados, numa clara demonstração de poder simbólico e militar do bloco oriental.

Antes da viagem, Putin destacou numa entrevista por escrito que Moscovo e Pequim partilham uma posição comum contra sanções que consideram discriminatórias e que prejudicam o desenvolvimento socioeconómico dos países dos BRICS e do mundo. “Procuramos progresso para o bem de toda a humanidade. Estou confiante que a Rússia e a China vão continuar a trabalhar juntas por este nobre objetivo, alinhando os nossos esforços para assegurar a prosperidade das nossas grandes nações”, afirmou.

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O atraso nas negociações

A visita ocorre num contexto de crescente tensão internacional e da continuidade do conflito na Ucrânia. Nos últimos dias, altos funcionários da Casa Branca criticaram líderes europeus por alegadamente prolongarem a guerra, pressionando Kiev a exigir concessões territoriais irrealistas a Moscovo. O Presidente norte-americano Donald Trump sugeriu recentemente a possibilidade de uma reunião trilateral entre Putin, o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e líderes ocidentais, mas sem garantias de encontros bilaterais imediatos.

Trump descreveu a relação entre Moscovo e Kiev como “duas crianças a lutar num parque”, sublinhando o elevado custo humano do conflito e a necessidade de mediação internacional.

Enquanto isso, as forças ucranianas libertaram a vila de Myrne, perto de Kupiansk, em Kharkiv, numa posição estratégica para controlar a estrada até à cidade, segundo autoridades militares de Kiev, avança o Observador. A região tinha estado sob pressão das tropas russas, mas a libertação desta localidade demonstra avanços táticos do lado ucraniano.

Paralelamente, a União Europeia indicou disponibilidade para iniciar negociações sobre o alargamento à Ucrânia e discute novas medidas de apoio ao país, incluindo um 19.º pacote de sanções contra Moscovo e acesso a instrumentos de financiamento da defesa, como o programa SAFE.

No plano energético, a Rússia reportou a reparação de um reator nuclear na central de Kursk, que operava apenas a metade da capacidade devido a danos provocados por um ataque com drone, reforçando a capacidade de Moscovo de manter o fornecimento energético mesmo em contexto de conflito.

Com esta visita, Putin pretende consolidar alianças estratégicas, reforçar a cooperação energética com a China, negociar acordos bilaterais de peso e enviar sinais de força ao Ocidente, num momento em que a guerra na Ucrânia ainda não tem solução à vista e o equilíbrio geopolítico global continua a ser desafiado.