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Os ficheiros Epstein já resultaram em dois detidos em Inglaterra, por mais que nos choque que as detenções não estejam ligadas aos alegados hediondos crimes de pedofilia, ainda que tarde vemos a coroa e o governo britânico a agir de forma célere naquilo que podem e que está dentro da sua jurisdição. Enquanto que a inação dos EUA, atendendo ao que já se sabe e ao número de figuras ligadas ao caso, faz apenas aumentar as teorias da conspiração e é inevitável que não nos questionemos quem está a proteger quem? 

No Reino Unido, hoje foi a vez de Peter Mandelson, antigo embaixador do Reino Unido nos EUA, detido pela Polícia Metropolitana de Londres sob suspeita de conduta imprópria em funções públicas.

Segundo comunicado da polícia, um homem de 72 anos foi detido na sua residência em Camden, no dia 23 de fevereiro, e levado para uma esquadra de Londres para interrogatório. A detenção ocorreu após buscas realizadas em duas propriedades em Wiltshire e Camden.

A investigação centra-se em alegações de que Mandelson terá divulgado emails de Downing Street e informação governamental sensível para os mercados ao financeiro desonrado Jeffrey Epstein, com quem manteve uma relação de amizade. Mandelson acredita não ter cometido qualquer crime.

A investigação foi aberta após a divulgação, nos EUA, de ficheiros relacionados com Epstein. No início de fevereiro, a polícia já tinha feito buscas a propriedades associadas a Mandelson. A investigação é descrita como complexa e deverá demorar.

O caso aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer, que nomeou Mandelson em dezembro de 2024 como embaixador em Washington, apesar de já serem conhecidas as suas ligações a Epstein, incluindo contactos mantidos depois de Epstein ter sido condenado por crimes sexuais em 2008. Starmer afirmou que Mandelson mentiu durante o processo de verificação para o cargo.

Mandelson, figura central do Partido Trabalhista durante décadas e um dos arquitetos do “New Labour” de Tony Blair, acabou por abandonar o partido e renunciar ao seu lugar na Câmara dos Lordes após novas revelações relacionadas com Epstein.

O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor também foi detido recentemente sob suspeita de conduta imprópria em funções públicas, no âmbito da mesma investigação ligada a Epstein. Foi interrogado durante 11 horas e libertado sob investigação.

A polícia está a apelar a antigos agentes responsáveis pela sua proteção para que partilhem informações relevantes. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA sugerem que agentes britânicos terão assegurado proteção na casa de Epstein em Nova Iorque quando Andrew lá permaneceu em 2010.

As autoridades britânicas estão ainda a analisar alegações de que aeroportos do Reino Unido possam ter sido utilizados para facilitar tráfico humano relacionado com Epstein. Andrew nega quaisquer irregularidades.

Também França lançou investigações abrangentes sobre tráfico de seres humanos e fraude financeira envolvendo contactos do pedofilo norte-americano condenado Jeffrey Epstein, na sequência da divulgação de um vasto conjunto de ficheiros sobre as suas atividades. A procuradora de Paris, Laure Beccuau, declarou à rádio France Info  que as investigações basear-se-ão em informação disponível publicamente, bem como em queixas apresentadas por associações de proteção de menores.

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