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Segundo avança o The Washington Post, as autoridades de saúde americanas planeiam alertar para o uso de paracetamol durante a gravidez, citando estudos recentes de Mount Sinai e Harvard que sugerem uma possível ligação entre a toma precoce do fármaco e o aumento do risco de autismo nas crianças. As recomendações indicarão que grávidas devem evitar o medicamento, exceto em caso de febre, embora as principais sociedades médicas ainda considerem o paracetamol seguro quando usado sob orientação médica.

Em paralelo, será promovido o leucovorina como potencial tratamento do autismo. Este medicamento é geralmente utilizado para neutralizar efeitos secundários de outros fármacos e para tratar défice de vitamina B9. Ensaios clínicos iniciais, controlados por placebo, indicaram melhorias significativas na capacidade de fala e compreensão em algumas crianças com autismo, levando a FDA a rever a regulamentação aplicável. A descoberta reacendeu o debate sobre as causas do autismo, até agora considerado predominantemente genético e difícil de tratar.

Donald Trump estabeleceu estas medidas como uma prioridade pessoal no seu segundo mandato, afirmando que se trata de uma das “maiores descobertas médicas da história do país” e que acreditava ter encontrado “uma resposta para o autismo”. A iniciativa envolve altos responsáveis da administração, incluindo Robert F. Kennedy Jr., Secretário da Saúde e Serviços Humanos, Marty Makary, Comissário da FDA, e Jay Bhattacharya, Diretor do NIH. O anúncio oficial está previsto para uma conferência de imprensa na Casa Branca.

Além disso, o NIH vai lançar uma nova iniciativa de ciência de dados sobre o autismo, com financiamento para 13 equipas de investigação, centrada nas causas, tratamentos e validação de estudos anteriores. Esta iniciativa é independente de um relatório mais amplo sobre o autismo que o NIH ainda está a preparar. A Casa Branca descreveu estas medidas como o cumprimento da promessa de Trump de combater o aumento das taxas de autismo nos EUA com “ciência de padrão-ouro”.

O anúncio gerou controvérsia entre especialistas. Robert F. Kennedy Jr. tem promovido teorias controversas, incluindo a ideia de ligação entre vacinas e autismo, já desmentida por décadas de investigação científica. A contratação de investigadores ligados a esta teoria, como David Geier, e declarações prometendo a “eliminação das causas do autismo” até setembro, provocaram críticas sobre a urgência e credibilidade do processo científico. Empresas como a Tylenol já se reuniram com o governo para discutir preocupações e próximos passos.

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e interação social, bem como por comportamentos repetitivos. Nos EUA, a taxa de diagnóstico aumentou de cerca de 1 em 150 crianças em 2000 para 1 em 31 crianças atualmente, segundo dados do CDC. As razões para este aumento permanecem incertas; embora maior consciencialização e melhores métodos de diagnóstico expliquem parte, muitos investigadores acreditam que fatores ambientais ou de estilo de vida, para além da componente genética, podem desempenhar um papel.

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