Surto de meningite no Reino Unido: o que se sabe até agora
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As autoridades britânicas investigam um surto de meningite associado a uma discoteca no sudeste de Inglaterra, que já levou à morte de duas pessoas e soma dezenas de casos. A rápida propagação entre estudantes está a preocupar especialistas e levou a uma resposta urgente das autoridades de saúde.
O que aconteceu?
As autoridades de saúde do Reino Unido estão a investigar 27 casos ligados a um surto de meningite considerado invulgar pela sua dimensão e rapidez de propagação. Do total, 15 já foram confirmados, tendo o número aumentado de forma acelerada desde a identificação do primeiro caso, a 13 de março. Há registo de duas mortes.
Acredita-se que o epicentro do surto esteja numa discoteca em Canterbury, no sudeste de Inglaterra. Pelo menos 10 dos casos confirmados estiveram no espaço entre os dias 5 e 7 de março, o que leva os especialistas a admitir um evento de superpropagação. Muitos dos infetados são estudantes da Universidade de Kent, embora tenham sido também identificados casos em quatro escolas da região de Kent e num estabelecimento de ensino superior em Londres.
O que afeta a meningite?
A meningite é uma infeção potencialmente mortal que provoca inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo evoluir para sepsia. A forma bacteriana, associada a este surto, é mais rara, mas também mais grave do que a variante viral.
A doença meningocócica é causada por uma bactéria que pode estar presente na parte posterior da garganta ou do nariz de pessoas saudáveis, sem provocar sintomas. Estima-se que entre 10% e 24% da população seja portadora assintomática. No caso deste surto, pelo menos nove dos casos confirmados são de meningite do grupo B (MenB), a estirpe mais comum no Reino Unido.
Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, febre, sonolência e rigidez na nuca, sinais que podem dificultar o diagnóstico por serem comuns a outras doenças. Em alguns casos, pode surgir uma erupção cutânea e a evolução pode ser rápida, agravando o estado clínico dos doentes.
Como acontece a transmissão?
Apesar da gravidade, a transmissão não é tão fácil como noutras doenças respiratórias. Segundo especialistas, a infeção exige, regra geral, contacto próximo e prolongado, podendo ocorrer através de beijos ou da partilha de objetos como bebidas ou cigarros eletrónicos.
O que levanta preocupações neste surto?
Os surtos em ambientes universitários não são inéditos no Ocidente, mas a dimensão e a velocidade deste episódio têm sido apontadas como excecionais. Especialistas sublinham que, habitualmente, a meningite ocorre em pequenos focos, o que contrasta com o número de casos registados em poucos dias neste episódio.
As autoridades de saúde britânicas foram alertadas para o primeiro caso a 13 de março e iniciaram de imediato o rastreio de contactos. No dia seguinte, França comunicou um caso relacionado com uma pessoa que tinha estado na universidade e foi hospitalizada naquele país, reforçando a preocupação com a possível disseminação internacional.
As amostras recolhidas estão a ser analisadas em laboratório para determinar com maior precisão a estirpe envolvida e perceber por que motivo a infeção tem apresentado um comportamento mais invasivo.
Entretanto, foram criadas várias clínicas de saúde em Canterbury para distribuir antibióticos às pessoas que possam ter estado em contacto com os infetados. Cerca de 700 pessoas já foram medicadas como medida preventiva.
O que dizem as autoridades?
O primeiro-ministro britânico apelou a todos os que estiveram na discoteca no período em causa para procurarem assistência médica e tomarem antibióticos, de forma a travar a propagação da doença.
Apesar da situação, as autoridades sublinham que o risco para a população em geral permanece baixo. Ainda assim, a Universidade de Kent lançou um programa de vacinação no campus, com o objetivo de administrar cerca de 5.000 doses aos estudantes.
Embora existam vacinas contra várias estirpes de meningite, a vacina contra o grupo B só foi integrada no programa de vacinação do Reino Unido em 2015. As autoridades esclarecem que, para já, não é necessário que a população em geral procure vacinação adicional fora das recomendações oficiais.
Até ao momento, não foi possível confirmar se o surto está totalmente controlado, mantendo-se as autoridades em alerta face à possibilidade de surgirem novos casos.
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