Os 32 arguidos libertados ficam proibidos de contactar entre si e têm de se apresentar periodicamente às autoridades. Três deles ficam apenas com termos de identidade e residência, a medida a que já estavam sujeitos anteriormente. O Ministério Público tinha solicitado prisão preventiva para oito dos detidos, numa decisão que agora ficou parcialmente acolhida.

Na sexta-feira, os arguidos detidos foram sujeitos ao primeiro interrogatório judicial. Seis aceitaram prestar declarações, enquanto os restantes remeteram-se ao silêncio. O juiz Nuno Costa Dias considerou que a prisão preventiva era necessária para cinco dos arguidos, sustentando a decisão nos perigos apontados pelo Ministério Público de continuação da atividade criminosa e de perturbação grave da tranquilidade e ordem públicas.

Os demais arguidos ficam, assim, com medidas de coação não privativas de liberdade. Ontem, Mário Machado, líder do grupo, soube que terá de cumprir uma pena de quatro anos de prisão, resultante do cúmulo jurídico de duas condenações anteriores por discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

Os 37 arguidos, entre os quais militantes do Chega, um polícia de Setúbal e um militar da Força Aérea, tinham sido detidos na passada terça-feira, no âmbito de uma investigação por crimes de discriminação, incitamento ao ódio e violência, ameaça e coação agravada, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida. Foram constituídas arguidas outras 15 pessoas.

Segundo a Polícia Judiciária, o Grupo 1143, liderado por Mário Machado, pretendia constituir uma milícia armada para “conter uma alegada ameaça islâmica” e desencadear uma “guerra racial”, mesmo com o líder já preso. A investigação culminou esta semana numa operação de grande dimensão, com dezenas de buscas e várias detenções em todo o país, tendo sido apreendidas armas e material de propaganda associado à extrema-direita violenta, incluindo neonazismo.