Poderá um violador ser um monstro ou o nosso melhor amigo? Poderá um pedófilo ser alguém que admiramos sem suspeitarmos dos seus crimes? Enquanto continuarmos a acreditar que estes «monstros» vivem à margem da sociedade, escondidos num qualquer submundo distante, ignoraremos uma realidade profundame
Milhares (milhões?) de homens trocam conselhos sobre como drogar as próprias esposas e violá-las inconscientes. Não são monstros escondidos nos cantos obscuros da internet, mas sim namorados e maridos. Enquanto homem, recuso aceitar que o silêncio masculino continue a ser parte do problema. Homens,
Numa sociedade onde persistem mitos perigosos sobre violência sexual, comentários públicos que sugerem que uma vítima deveria antecipar “riscos” ou explicar melhor um pedido para parar não são meras opiniões: são interpretações que continuam a proteger violadores e a escrutinar quem sofre violência
Há um erro grave — e perigosamente cómodo — a contaminar a própria ideia de prevenção primária da violência sexual contra crianças: a ilusão de que basta ensinar uma canção alegre, um jogo colorido ou uma regra simples para que tudo fique resolvido. Como se prevenir violência sexual fosse tão direto
Sem incorrer no erro de generalizar, não podemos deixar de refletir sobre os polícias que violam pessoas em situação de vulnerabilidade. Estes casos semeiam na memória coletiva uma dúvida corrosiva para as vítimas que denunciam: e se o agente que me ouvir for como aquele?
Figuras públicas ou abusadores “anónimos”, todos partilham um padrão comportamental: manipular as vítimas e os contextos onde estão inseridas, impor silêncio e impedir denúncias. O elo comum? O poder que os abusadores detêm.
Tornar a violação um crime público pode ser um projeto bem intencionado, mas na realidade poderá afetar negativamente as vítimas de violência sexual — quem mais precisa de segurança e apoio — retirando-lhes o direito à escolha, à autonomia e ao tempo de que precisam para recuperar do trauma.
A extorsão sexual de homens e rapazes tem vindo a aumentar. No entanto, estes crimes nem sempre são denunciados. O isolamento sentido pelas vítimas, os estereótipos de género e o medo do julgamento social são entraves à denúncia e à procura de apoio.
As notícias sobre abuso sexual geram torrentes de comentários trocistas, ataques, escrutínio e desdém em relação às vítimas. A verdade é esta: quem contribui para o silenciamento das vítimas está do lado dos abusadores.
Os homens vítimas de abuso sexual fazem parte do seu — que lê este texto — círculo de amigos. São os seus colegas de escola, de universidade e de trabalho, e fazem parte da sua família. Podem ser o seu irmão ou filho, pai ou avô, namorado, marido ou companheiro, amigo ou vizinho. São os homens do se
Uma jovem é violada, o crime é provado, mas a sentença do violador é suspensa porque “os tribunais não servem para destruir as vidas das pessoas". Mesmo quando se prova a violação, a vida das vítimas não tem valor face ao eventual futuro promissor do violador.
A violência sexual online tem aumentado nos últimos anos, e as questões de género não devem ser ignoradas. Homens e rapazes são, cada vez mais, vítimas de extorsão sexual.
Muitos casos de abuso sexual no masculino ocorrem na infância, mas sabemos que muitos homens adultos também são vítimas de violência sexual. Nestes casos, as vítimas enfrentam sentimentos de vergonha e de culpa, o que intensifica o isolamento e o silêncio destes homens.
A violência sexual contra homens continua a ser ignorada, silenciada e um assunto tabu. São várias as vezes em que os homens vitimados são alvo de troça e comentários sexistas, como se fossem menos homens. A realidade é que ainda há muito por fazer.
A associação Quebrar o Silêncio apoiou em três anos 251 homens vítimas de abusos sexuais, a maioria com traumas de situações vividas na infância e nunca partilhados.