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Entre os artefactos descobertos estão fragmentos de lamparinas de óleo e uma telha decorada com menorás, símbolos judaicos, e não foi identificado qualquer vestígio associado ao cristianismo. Segundo o arqueólogo Bautista Ceprián, membro do projeto Cástulo Sefarad Primera Luz, foi precisamente essa ausência de elementos cristãos que impulsionou a nova interpretação do edifício.

“A reinterpretação do edifício de igreja para, possivelmente, sinagoga, seguiu um processo de raciocínio lógico com base nos dados históricos e arqueológicos de que dispomos”, afirmou Ceprián à CNN.

O edifício apresenta ainda características comuns em sinagogas, como uma planta mais quadrada do que retangular, uma possível base para uma grande menorá e os alicerces de uma plataforma central elevada, ou bimah — estruturas ausentes em igrejas da época.

Outro dado relevante é que o edifício foi construído próximo de um templo romano abandonado, o que, segundo Ceprián, teria sido evitado por cristãos devido à associação com o paganismo. “É um local escondido, discreto e isolado, que provavelmente não seria visitado com frequência pela maioria cristã”, explicou.

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Embora a presença de uma comunidade judaica em Cástulo não esteja documentada, os investigadores acreditam que os indícios sugerem a existência de um grupo que viveu lado a lado com cidadãos romanos. Contudo, essa população desapareceu sem deixar registos, ao contrário de outras comunidades judaicas mencionadas na lei anti-judaica do rei visigodo Sisebuto (século VII).

Sobre o que terá acontecido a essa comunidade, Ceprián admitiu à CNN que “é difícil saber”. Uma hipótese é que o clero cristão, temendo conversões ao judaísmo, teria fomentado a rejeição às comunidades judaicas, levando à pressão para que se convertessem ao cristianismo ou, em alternativa, abandonassem a cidade.

Agora, a equipa pretende proteger o local e continuar as escavações. “Não podemos descartar a possibilidade de encontrar provas mais definitivas que nos permitam atualizar a hipótese de sinagoga possível para sinagoga efetiva”, concluiu Ceprián.