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O Ministério do Interior francês estimou que entre 600 mil e 900 mil manifestantes participaram em mais de 250 concentrações, de Paris a Marselha, Nantes, Lyon e Montpellier.
O impacto foi visível: comboios, autocarros e elétricos pararam, nove em cada dez farmácias fecharam, cerca de um sexto dos professores faltaram às aulas e várias cantinas escolares não abriram. Em liceus de Paris, Amiens e Le Havre, estudantes ergueram bloqueios à entrada.
“A raiva é enorme e a determinação também – a mensagem ao senhor Lecornu é simples: são as ruas que devem decidir o orçamento”, afirmou Sophie Binet, líder da central sindical CGT, citado pelo jornal The Guardian.
A mobilização surge num momento de crise política no país. Emmanuel Macron nomeou recentemente Sébastien Lecornu como primeiro-ministro, o terceiro em apenas um ano, depois dos anteriores — François Bayrou e Michel Barnier — terem caído no Parlamento devido a planos de austeridade.
Lecornu procura agora evitar o destino dos seus antecessores. Herdou um Parlamento fragmentado entre esquerda, extrema-direita e centro, sem maiorias absolutas, e tem apenas algumas semanas para apresentar um novo orçamento e formar governo.
Apesar de já ter abandonado medidas altamente impopulares, como a eliminação de dois feriados nacionais, subsistem dúvidas sobre cortes em prestações sociais e no financiamento de serviços públicos.
Apesar do caráter pacífico da maioria das marchas, registaram-se confrontos em Nantes e Lyon, onde três pessoas ficaram feridas. Ao longo do dia, 140 manifestantes foram detidos em todo o país.
Para além de sindicatos, também líderes da oposição juntaram-se aos protestos. Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, acusou o presidente: “Macron é a fonte do caos, tudo o que está a acontecer é consequência das suas escolhas”.
Com 18 meses de mandato pela frente e níveis de popularidade em queda, Macron enfrenta uma nova prova de força: a pressão da rua contra a austeridade e a incerteza política no Parlamento.
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