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Após uma reunião de ponto de situação na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, Luís Montenegro afirmou que Portugal continua numa situação de elevado risco de incêndio, o que exige uma atuação cuidadosa por parte de toda a população.

“Constatamos mais uma vez que estamos em elevado risco, o que impõe a todos deveres de cuidado para podermos diminuir, tanto quanto possível, o impacto dos incêndios em Portugal”, afirmou o primeiro-ministro.

Montenegro destacou que o dispositivo de combate está preparado para responder às ocorrências. “Todas as forças do dispositivo, que é o maior de sempre, estão preparadas para poder acudir a todas as necessidades”, garantiu.

Ainda assim, o primeiro-ministro apontou alguns fatores que têm dificultado a ação dos operacionais:  “É o que acontece, por exemplo, com as ignições noturnas, que têm vindo a acentuar-se e com ignições que, em alguns espaços, acontecem em simultâneo com muita proximidade”, explicou.

O chefe do Governo apelou também à responsabilidade da população, destacando a necessidade de combater comportamentos negligentes que possam contribuir para o início de incêndios.

Depois de deixar um “reconhecimento público” às forças que estão no terreno, Montenegro deixou um alerta para as próximas semanas. “Ainda estamos num período de grande risco”, afirmou, acrescentando que “ainda vamos ter semanas pela frente de elevada complexidade”.

Apesar do elevado número de ocorrências, o primeiro-ministro destacou a evolução positiva da área ardida em 2026. Segundo Montenegro, a área consumida pelas chamas este ano é, até ao momento, cerca de quatro vezes inferior à registada no mesmo período de 2025.

O dado, contudo, não é motivo para baixar a guarda. “Não é motivo de satisfação”, afirmou o primeiro-ministro, lembrando que “o risco vai continuar”.

Montenegro defende ministro da Administração Interna

Questionado sobre se a polémica em torno de Luís Neves poderá ter dificultado o trabalho do ministro da Administração Interna, Montenegro rejeitou essa possibilidade e elogiou a atuação do governante.

“O ministro tem feito um trabalho absolutamente extraordinário”, afirmou o primeiro-ministro.

Montenegro explicou que a resposta do Governo aos incêndios assenta em dois eixos. O primeiro passa por um “esforço adicional de todas as matérias de prevenção” e por “um olhar implacável para as atitudes criminosas”. Neste âmbito, destacou as 210 detenções realizadas até ao momento relacionadas com incêndios.

O segundo eixo, explicou, está relacionado com a “coordenação das forças” e com o trabalho coletivo de todas as entidades envolvidas no combate aos incêndios.

O primeiro-ministro revelou ainda que tem mantido “contacto permanente” com Luís Neves sobre a situação dos incêndios. “Temos uma forma de estar e de encarar este fenómeno com elevado sentido de responsabilidade e privilegiando sempre maximizar a nossa força de combate e de prevenção”, afirmou.

Perante as críticas de que poderá existir um afastamento entre o Governo e a realidade vivida no terreno, Montenegro rejeitou a acusação e garantiu que mantém contacto direto com a população.

“Ando na rua todos os dias, sem exceção”, afirmou.

“Temos de estar perto de todos e estamos perto de todos”, acrescentou, garantindo que o Governo não pretende alimentar a disputa política em torno da situação. “Não estamos aqui para alimentar o picante da vida política”, concluiu.

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