Irão propõe plano em três fases para pôr fim à guerra com os EUA
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O nome de uma localidade no sul do Irão, onde 168 menores, na sua maioria raparigas, morreram num bombardeamento norte-americano no primeiro dia da guerra, estava esta segunda-feira inscrito no avião que transportou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, até São Petersburgo.
Durante o encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, Abbas Araghchi reforçou essa posição. “O povo iraniano luta com coragem e heroísmo pela sua soberania”, afirmou o líder russo, manifestando apoio ao Irão.
À chegada à Rússia, o chefe da diplomacia iraniana sublinhou a intenção de manter contacto com Moscovo sobre questões regionais e internacionais. A visita surge após um fim de semana de intensa atividade diplomática, que incluiu passagens por Omã e pelo Paquistão, este último apontado como intermediário nas negociações com Washington.
O conflito permanece num impasse desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, prolongou por tempo indeterminado o frágil cessar-fogo em vigor, exigindo a apresentação de uma proposta “unificada” por parte de Teerão. Segundo meios próximos do regime iraniano, citadas pelo El País, essa proposta já terá sido transmitida aos Estados Unidos através de intermediários.
O plano iraniano prevê três fases. A primeira centra-se exclusivamente na obtenção de um cessar-fogo definitivo, com garantias que impeçam a retoma dos ataques, tanto contra o Irão como contra o Líbano. Teerão insiste que não discutirá outros temas nesta fase.
A segunda etapa incidirá sobre a gestão do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica atualmente bloqueada. O Irão propõe coordenar com Omã a criação de um novo enquadramento jurídico que regule o tráfego marítimo e permita a cobrança de taxas de passagem.
A terceira fase deixará para o final a negociação do programa nuclear iraniano, um dos pontos mais sensíveis. Esta posição contraria a estratégia de Washington, que considera esta questão prioritária.
Entre os principais entraves estão as exigências dos Estados Unidos para que o Irão entregue as suas reservas de urânio altamente enriquecido e suspenda o enriquecimento durante um período prolongado. Enquanto Teerão admite uma moratória de cerca de cinco anos, Washington aponta para prazos entre dez e 20 anos.
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