40 anos de Chernobyl: Ucrânia recorda a tragédia à sombra da guerra

Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Quarenta anos depois da explosão na central nuclear de Chernobyl, a Ucrânia voltou a parar para recordar uma das maiores catástrofes da história recente, num momento em que a guerra reabre feridas que nunca chegaram verdadeiramente a sarar.

Na madrugada de 26 de abril de 1986, uma falha durante um teste de segurança levou à explosão do reator número quatro, libertando material radioativo para a atmosfera durante mais de dez dias. O acidente, considerado o pior desastre nuclear civil de sempre, contaminou vastas áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, antes de a nuvem radioativa se espalhar pela Europa. Só semanas depois, o então líder soviético, Mikhail Gorbachev, reconheceu publicamente a dimensão do sucedido.

O impacto foi imediato e duradouro. Milhares de pessoas foram evacuadas, incluindo os cerca de 50 mil habitantes da cidade de Pripyat, e centenas de milhares participaram nas operações de contenção e limpeza. Ao longo de quatro anos, cerca de 600 mil “liquidadores”, entre soldados, bombeiros, mineiros e técnicos, trabalharam no local, muitas vezes expostos a níveis extremos de radiação, segundo o National Geographic.

As estimativas sobre o número de vítimas variam: um relatório das Nações Unidas apontava para cerca de quatro mil mortes associadas à exposição, enquanto outras avaliações indicam números muito superiores. Para além das perdas humanas, ficaram marcas profundas na saúde pública, no ambiente e na memória coletiva.

Quatro décadas depois, a lembrança mantém-se viva. Na cidade de Slavutych, centenas de pessoas reuniram-se à meia-noite para homenagear as vítimas e os que participaram na descontaminação. Velas foram acesas junto a um símbolo de radiação, num gesto silencioso de memória, de acordo com a Euronews.

Mas o aniversário acontece sob a sombra da guerra. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de “terrorismo nuclear”, denunciando sobrevoos frequentes de drones na zona da central. Um desses aparelhos terá mesmo atingido a estrutura de proteção no último ano.

Através de uma publicação na rede social X, Zelensky alertou que a invasão russa está a “colocar novamente o mundo à beira de uma catástrofe provocada pelo homem”, defendendo que a comunidade internacional deve impedir novos riscos numa área que simboliza, como poucas, as consequências de um desastre nuclear.

Ao mesmo tempo, os ataques continuam noutras regiões do país. Na noite que antecedeu o aniversário, bombardeamentos com drones provocaram mortos e feridos, num conflito que se arrasta e que mantém a segurança energética, militar e nuclear no centro das preocupações.

Quarenta anos depois, Chernobyl permanece como um aviso. Um lugar onde a história não terminou e onde o passado e o presente continuam perigosamente próximos.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.

Não existem artigos

Jornais do dia

  • Record

    Record

    26 Abril 2026
  • O Jogo

    O Jogo

    27 Abril 2026
  • A Bola

    A Bola

    26 Abril 2026
  • Público

    Público

    26 Abril 2026
  • Notícias Magazine | JN

    Notícias Magazine | JN

    27 Abril 2026
  • Domingo | CM

    Domingo | CM

    27 Abril 2026
mookie1 gd1.mookie1