Trump vs. Leão XIV. O que aconteceu e quais as reações?
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A polémica teve início quando Trump, através de uma longa publicação nas redes sociais e de declarações a jornalistas, afirmou não ser “fã” do pontífice, acusando-o de não estar a fazer “um bom trabalho” e sugerindo que deveria deixar de “ceder à esquerda radical”. O presidente norte-americano classificou ainda o Papa Leão XIV como “fraco” em matéria de crime e “terrível” em política externa.
Estas declarações surgem após o Papa ter criticado, dias antes, aquilo que descreveu como uma “ilusão de omnipotência” por detrás da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Embora não tenha mencionado diretamente Trump, o tom das palavras foi interpretado como dirigido à liderança norte-americana.
A controvérsia agravou-se quando Trump publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial em que surge representado como uma figura semelhante a Jesus Cristo, aparentemente a curar um homem. A publicação gerou críticas, incluindo de apoiantes religiosos do próprio presidente, levando à sua posterior eliminação.
Em resposta às críticas, o Papa Leão XIV, durante uma viagem de 11 dias a África com passagem pela Argélia, afirmou aos jornalistas que não se considera um político nem pretende entrar em confronto direto com Trump. Ainda assim, foi claro ao sublinhar que não deixará de defender os princípios do Evangelho.
“O meu papel não é político”, afirmou, acrescentando que continuará a falar “com firmeza contra a guerra” e a promover a paz, o diálogo e o multilateralismo entre os Estados. Questionado por um jornalista norte-americano, reforçou: “Não tenho medo da administração Trump nem de proclamar a mensagem do Evangelho”.
O líder da Igreja Católica insistiu também que essa mensagem — centrada na paz — não deve ser instrumentalizada, numa aparente crítica à utilização de argumentos religiosos para justificar conflitos armados.
Quais as reações ao sucedido?
As declarações de Trump geraram reações críticas a vários níveis. Nos Estados Unidos, bispos católicos defenderam o Papa, sublinhando que este não é um rival político, mas sim um “vigário de Cristo” que fala com base na verdade do Evangelho.
Na Igreja portuguesa, D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, manifestou hoje a sua "proximidade e comunhão diante das críticas e incompreensões" que têm surgido em relação ao magistério de Leão XIV. "Na Diocese de Setúbal, fazemos eco do sentir do povo de Deus que, com serenidade e firmeza, permanece unido ao Sucessor de Pedro".
"Reconhecemos no seu testemunho um apelo constante à fidelidade ao Evangelho, particularmente à força transformadora das Bem-aventuranças, que nos desafiam a viver como construtores de paz e promotores de fraternidade, mesmo em contextos marcados por desafios sociais e culturais exigentes", escreveu o cardeal.
"Reafirmamos, por isso, a nossa confiança no ministério do Santo Padre e asseguramos a nossa oração por esta Viagem Apostólica, para que seja fecunda em gestos de proximidade, caminhos de reconciliação e sinais concretos de esperança. Em comunhão eclesial, renovamos o nosso compromisso de caminhar com o Papa, servindo o Evangelho da paz no mundo de hoje", rematou.
Em Itália, políticos de diferentes quadrantes também condenaram as palavras do presidente norte-americano.
O vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, conhecido pelo seu apoio a Trump, afirmou que atacar o Papa — “um símbolo de paz e guia espiritual para milhões” — não é útil nem inteligente. Já a primeira-ministra Giorgia Meloni considerou os comentários “inaceitáveis”, defendendo que é legítimo o Papa apelar à paz e condenar todas as guerras.
Também o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi considerou ser um “dever” defender o pontífice, descrevendo-o como um “construtor de pontes” em contraste com Trump.
A reação estendeu-se além da Europa. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, condenou o que classificou como um “insulto” ao Papa, sublinhando que qualquer desrespeito por figuras religiosas é inaceitável.
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