Da divulgação dos áudios ao possível boicote à Supertaça. Uma semana que abalou a arbitragem portuguesa
Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Áudios de Pedro Proença, pedidos de esclarecimento, recusas de diálogo e ameaça de boicote marcaram uma das semanas mais conturbadas da arbitragem nacional antes do arranque da nova época.
O que aconteceu hoje?
A arbitragem portuguesa entrou esta sexta-feira numa nova crise institucional, depois de os árbitros das competições profissionais terem decidido não iniciar a primeira ação de reciclagem e avaliação da temporada e admitirem boicotar a Supertaça Cândido de Oliveira, exigindo um pedido de desculpa público do presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
A decisão foi anunciada através de um comunicado, no qual os árbitros justificam que "não estão reunidas as condições necessárias para o arranque dos trabalhos", numa referência direta à polémica que tem marcado os últimos dias. A situação levanta dúvidas sobre a realização da Supertaça, marcada para este sábado, em Coimbra, entre FC Porto e Torreense.
O que levou a isto?
Tudo começou na terça-feira, com a divulgação de vários áudios gravados em 2024, numa altura em que Pedro Proença liderava a Liga Portugal e preparava a candidatura à presidência da FPF. Nas gravações, o dirigente faz duras críticas ao nível da arbitragem portuguesa, classificando os árbitros como "muito fracos", além de abordar processos judiciais envolvendo o Benfica e fazer comentários sobre José Fontelas Gomes, atual vice-presidente da Federação e antigo presidente do Conselho de Arbitragem.
A divulgação dos áudios provocou uma forte reação no setor da arbitragem. No dia seguinte, Pedro Proença tentou reunir-se com os árbitros para explicar o contexto das declarações, mas a iniciativa acabou por falhar. Apesar do contacto estabelecido com a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), nenhum árbitro aceitou participar na reunião, entendendo que, antes de qualquer diálogo, deveria existir um pedido de desculpa público.
Perante a polémica, o presidente da FPF reagiu na quarta-feira através de um comunicado, no qual condenou a divulgação "ilegal e imoral" das gravações. Pedro Proença sustentou que se tratava de conversas privadas, "truncadas, meticulosamente selecionadas, distorcidas, incompletas e descontextualizadas", e anunciou que ponderava recorrer à via judicial para identificar os responsáveis pela sua divulgação.
O que Proença já fez?
Segundo várias informações, o presidente da Federação voltou a contactar alguns árbitros durante as últimas horas e mostrou disponibilidade para se deslocar a Tomar, numa tentativa de desbloquear o impasse e evitar que a crise tenha impacto na primeira competição oficial da época.
A polémica surge numa altura particularmente sensível para a arbitragem portuguesa. Nas últimas semanas, o setor já se encontrava sob forte escrutínio devido às investigações do Ministério Público sobre alegadas interferências nas nomeações de árbitros e às mudanças na estrutura da arbitragem nacional, fatores que aumentaram a tensão antes mesmo do início da nova época.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.