BCE faz pausa nas taxas de juro. O que poderá acontecer em Setembro?
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O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter inalteradas as taxas de juro diretoras, numa decisão amplamente antecipada pelos mercados. A instituição optou por não voltar a subir o custo do dinheiro, mas deixou claro que a porta continua aberta a um novo aumento já na próxima reunião, marcada para setembro.
O que aconteceu hoje
O Conselho do BCE manteve a taxa da facilidade permanente de depósito nos 2,25%, a principal taxa de refinanciamento nos 2,40% e a facilidade permanente de cedência de liquidez nos 2,65%.
Em comunicado, o banco central justificou a decisão com a necessidade de avaliar melhor o impacto da recente subida dos preços da energia, impulsionada pelo agravamento do conflito no Médio Oriente. O BCE considera que o efeito deste choque sobre a inflação ainda não está totalmente refletido na economia da zona euro.
A instituição reiterou que continuará a decidir "reunião a reunião", mantendo uma abordagem dependente dos dados económicos e da evolução da inflação.
O que aconteceu em junho
A decisão desta quinta-feira surge pouco mais de um mês depois de o BCE ter surpreendido os mercados ao subir as taxas de juro em 25 pontos base, a primeira subida desde 2023.
Na altura, a instituição justificou o aumento com a aceleração da inflação provocada pela subida dos preços da energia e reviu em alta as previsões para a inflação nos próximos anos. O objetivo era evitar que o aumento dos custos energéticos se propagasse ao resto da economia, através dos salários e dos preços dos bens e serviços.
Desde então, vários indicadores económicos mostraram sinais de abrandamento. A inflação na zona euro desacelerou em junho e a evolução dos salários e da atividade económica revelou-se menos pressionante do que o inicialmente previsto, fatores que contribuíram para a pausa anunciada hoje.
O que pode acontecer em setembro
Apesar de ter mantido as taxas inalteradas, o BCE não afastou a possibilidade de voltar a subir o custo do dinheiro na próxima reunião, marcada para 9 e 10 de setembro.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a evolução dos preços do petróleo e do gás será determinante. Se a escalada dos custos da energia voltar a alimentar a inflação, o banco central poderá avançar com um novo aumento de 25 pontos base.
Os mercados financeiros já antecipam esse cenário e apontam para a possibilidade de até duas novas subidas das taxas de juro até ao final do ano, caso a inflação volte a afastar-se da meta de 2% definida pelo BCE.
Até lá, a instituição liderada por Christine Lagarde garante que continuará a acompanhar a evolução da economia, da inflação e dos mercados energéticos antes de decidir o próximo passo da política monetária.
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