Brexit: como poderá o Reino Unido reaproximar-se da União Europeia?
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O Brexit marcou um dos momentos políticos mais importantes da história recente da Europa, ao assinalar a saída do Reino Unido da União Europeia após décadas de integração comunitária. O processo começou com o referendo de 2016, em que a maioria dos britânicos votou a favor da separação, e culminou oficialmente em 2020, abrindo um novo capítulo nas relações entre Londres e Bruxelas, com impactos na economia, imigração, comércio e circulação de pessoas.
Agora, quando se assinalam os 10 anos no início do processo, o debate sobre uma eventual reaproximação do Reino Unido à União Europeia voltou ao centro da política britânica. Entre as hipóteses discutidas estão o regresso pleno ao bloco europeu, modelos intermédios inspirados na Suíça e na Noruega ou uma continuação da estratégia de “reset” defendida por Keir Starmer.
Como voltou a discussão?
Segundo o The Guardian, a discussão ganhou novo fôlego depois de Wes Streeting, antigo secretário da Saúde e possível candidato à liderança do Partido Trabalhista, defender a a criação de “uma nova relação especial com a União Europeia” e admitir que, no futuro, a melhor solução poderia passar pelo regresso do Reino Unido ao bloco comunitário.
O Reino Unido pode voltar a integrar plenamente a União Europeia?
Sim, mas o processo seria complexo. Segundo o jornal britânico, apesar de um novo referendo não ser legalmente obrigatório, seria politicamente importante realizar uma nova consulta popular.
Muitos defendem que um eventual regresso só teria legitimidade com um apoio muito expressivo da população, superior a 60% e possivelmente próximo dos 70%.
Bruxelas aceitaria facilmente o regresso britânico?
A União Europeia dificilmente iniciaria negociações sem garantias de estabilidade política no Reino Unido. Assim, o cenário mais provável seria os Estados-membros quererem evitar o risco de uma nova saída britânica poucos anos depois de um eventual regresso.
Além disso, vários países europeus poderão preferir concentrar os seus esforços políticos na adesão da Ucrânia e da Moldávia, consideradas prioritárias para a segurança europeia.
Um eventual regresso implicaria rever o acordo de saída negociado após o Brexit. Esse acordo inclui questões relacionadas com a Irlanda do Norte, os direitos dos cidadãos europeus e britânicos e os compromissos financeiros assumidos entre Londres e Bruxelas.
O apoio dos britânicos ao regresso à UE está a crescer?
De acordo com uma sondagem citada pelo The Guardian, mais de 80% dos eleitores que planeiam votar nos Trabalhistas, Liberais-Democratas ou Verdes apoiariam um regresso total à União Europeia.
No entanto, entre o conjunto do eleitorado britânico, o apoio situa-se nos 53%.
O que é o chamado “modelo suíço”?
A Suíça não pertence à União Europeia, mas mantém acordos que lhe garantem acesso sem fricções ao mercado único europeu.
Esses acordos abrangem áreas como o mercado europeu de eletricidade, programas espaciais, Erasmus, investigação digital e cooperação na prevenção de doenças.
Em troca, a Suíça aceita a livre circulação de pessoas e contribui financeiramente para fundos europeus.
AUnião Europeia chegou a propor ao Reino Unido um acordo semelhante ao suíço, mas Boris Johnson rejeitou essa hipótese devido às exigências de alinhamento regulatório e liberdade de circulação.
Em que consiste o “modelo norueguês”?
Neste cenário, o Reino Unido regressaria ao mercado único através da adesão ao Espaço Económico Europeu.
A Noruega, o Liechtenstein e a Islândia fazem parte deste modelo, embora não integrem formalmente a União Europeia.
Para aderir, o Reino Unido teria de entrar primeiro na Associação Europeia de Comércio Livre e aceitar novamente a livre circulação de pessoas.
Qual é o cenário mais provável neste momento?
Segundo o The Guardian, a opção mais provável continua a ser a estratégia gradual de aproximação defendida pelo governo de Keir Starmer.
Essa política passa por acordos limitados e por um alinhamento progressivo com Bruxelas, incluindo possíveis programas de mobilidade juvenil, embora o tema continue politicamente sensível no Reino Unido.
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