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O que é, na verdade, a escola ideal? É uma escola com melhores resultados e notas dos alunos? É uma escola onde todos os alunos escolhem cursos superiores como Medicina, Gestão, Direito?

Ou é antes uma escola onde os alunos se sentem bem? Onde podem refletir, questionar e sentir-se parte? Em que professores, funcionários, alunos e pais estão juntos a contribuir para algo maior?

Uma escola ideal é quando um aluno diz “muito triste que acabou esta escola” ou “a minha experiência mais mágica”. Estes são testemunhos verdadeiros da Academia de Verão Teach For Portugal, que contou com 163 alunos e 75 mentores em formação.

Durante três semanas, numa escola em Braga, das oito e meia até à hora de almoço, os alunos tiveram sessões de Português, Inglês e Matemática.

Antes de qualquer aluno chegar, assegurou-se a cultura. Isto significa que todos os envolvidos, mentores, funcionários e coordenadores, partilhavam a mesma visão: o código postal de uma criança não pode determinar o seu futuro.

Este alinhamento é a base de uma equipa coesa e que sabe qual é o objectivo e a meta a atingir: dar oportunidades a todas as crianças para que atinjam o seu máximo potencial.

E havia outro elemento central. Durante as três semanas, cada turma trabalhou a partir de uma pergunta-problema, construída com os alunos e ligada a um desafio real da sociedade ou da comunidade.

Como podemos proteger a fauna e a flora à nossa volta? Como podemos diminuir o bullying na escola? Como podemos promover a interculturalidade?

A partir daí, Português, Matemática e Inglês tornavam-se ferramentas para investigar, procurar informação, interpretar dados, construir argumentos e comunicar uma resposta.

Para responder às perguntas, vimos alunos saírem da sala de aula para conhecer os animais e plantas existentes na área circundante da escola e pensar sobre a proteção da fauna e flora local. Numa turma composta por alunos de vários países, os alunos apresentaram às famílias as bandeiras e características dos seus países e uma aluna dos Emirados Árabes Unidos explicava, com segurança, como funcionava o sistema político do seu país.

O mais importante não era apenas aquilo que apresentavam, mas a propriedade com que o faziam.

Quando lhes perguntávamos como tinham chegado a determinada conclusão, sabiam responder. Tinham pensado no problema, procurado informação e construído uma resposta. No fundo, o trabalho era deles.

Isto ajuda-nos a perceber o que significa construir uma boa cultura de escola. Os alunos são escutados e participam ativamente na construção da escola. Os pais são integrados nas dinâmicas da escola e conhecem o que os filhos criaram. A aprendizagem acontece onde tiver de acontecer: não está limitada à sala de aula e, muitas vezes, é necessário sair dela para aprender.

Também os intervalos têm intenção. São momentos para promover a brincadeira, a colaboração e a socialização. Há um plano, e também há escolha por parte dos alunos. Os adultos estão presentes, a brincar, conversar, conhecer melhor os alunos, ajudando a construir relações significativas.

Os resultados tornam-se visíveis quando um aluno com autismo fala pela primeira vez em contexto escolar; quando uma aluna tímida e retraída sobe ao palco para apresentar o projeto da turma; ou quando um aluno emociona depois de apresentar o seu talento e ser recebido com inúmeras palmas, dizendo no final: “Obrigado a todos, porque aqui sinto-me seguro para me expressar e ser quem sou.”

O sentimento que se vive ali também chega às famílias. Uma encarregada de educação contou que aquilo que, à partida, parecia ser uma “seca” por existirem “disciplinas” se transformou, logo no segundo dia, num “Mãe, para o ano quero vir mais semanas!”. Outro encarregado de educação dizia: “O meu filho adorou, nunca em nenhuma atividade o vi tão feliz e motivado.” E outra família partilhava: “My daughter came home every day happy and telling everyone about her day. She was so excited and didn't want it to end” [“A minha filha voltava para casa todos os dias feliz e contava a toda a gente como tinha sido o seu dia. Estava tão entusiasmada que não queria que acabasse”].

É sobre isto. Sobre este sentimento de pertença, participação e partilha.

Afinal, a escola ideal já está a acontecer. Ainda em pequena escala, é verdade. Mas quem diz que não pode ser maior?

Fica o convite a quem se preocupa com a educação em Portugal: esta escola é possível. Vamos construí-la, juntos, em mais lugares.

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