Hantavírus: risco de transmissão em Portugal é considerado muito baixo

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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reafirmou esta quinta-feira que o risco de transmissão do hantavírus em Portugal é considerado muito baixo para a população residente, assegurando que a situação está a ser monitorizada de forma permanente pelas autoridades nacionais e internacionais.

Em conferência de imprensa realizada após o Conselho de Ministros, Ana Paula Martins afirmou que Portugal está a receber informação “hora a hora” sobre a evolução do surto, sublinhando que a Direção-Geral da Saúde (DGS) avalia o risco como “muito baixo”, não sendo esperada transmissão generalizada no país.

Segundo referiu, a Organização Mundial da Saúde e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) também consideram que o risco para a população em geral é muito baixo.

O ECDC explica que as infeções por hantavírus são doenças zoonóticas transmitidas sobretudo pela inalação de partículas contaminadas por excreções de roedores infetados. O período de incubação varia normalmente entre sete dias e seis semanas, sendo a média de cerca de duas semanas. As manifestações clínicas podem evoluir para síndrome pulmonar por hantavírus ou febre hemorrágica com síndrome renal, consoante a região geográfica.

O vírus Andes, detetado num dos casos, é associado a uma elevada taxa de letalidade e encontra-se sobretudo na América do Sul. Embora a transmissão entre humanos seja rara, já foi documentada em situações de contacto próximo e prolongado.

Segundo a avaliação do ECDC, a hipótese atual aponta para uma exposição inicial de alguns passageiros ao vírus na Argentina, onde o vírus é endémico, antes do embarque, com possível transmissão posterior a bordo. Perante o ambiente fechado do navio e a partilha de espaços comuns, as autoridades consideram, numa abordagem de precaução, que todos os passageiros devem ser tratados como contactos próximos.

O risco de transmissão na União Europeia/EEE é considerado muito baixo, uma vez que o vírus não se transmite facilmente e não existe reservatório natural do vírus Andes na Europa, o que torna improvável a sua introdução e disseminação na população europeia.

O ECDC recomenda a evacuação médica imediata de casos sintomáticos, testagem diagnóstica após desembarque e aplicação de medidas de prevenção e controlo de infeção, incluindo isolamento de casos, utilização de equipamentos de proteção e vigilância de sintomas a bordo. Recomenda ainda comunicação de risco adaptada aos diferentes grupos e instruções claras aos passageiros após desembarque.

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