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À primeira vista, o escritório da Cedrus Capital, em Lisboa, pouco se assemelha a uma sociedade de investimento tradicional. Não há corredores cinzentos, cubículos uniformes ou paredes vazias. Em vez disso, há pinturas, esculturas e obras em constante movimento. A transformação ocorreu há cerca de um ano, quando a curadora e designer Roshi Kamdar foi convidada para desenvolver o interior do espaço.

“Desenhei o escritório com uma determinada visão estética, mas senti que podia fazer mais do que isso”, explica. “Propus-lhes trazer arte para o espaço. Não precisavam de comprar as obras, apenas expô-las e permitir que fossem vendidas aqui.”

Dessa ideia nasceu a Cedrus Curated, uma plataforma curatorial instalada dentro do escritório da empresa, onde todas as obras pertencem a artistas que vivem em Portugal.

“Era importante para mim apoiar artistas locais e mostrar que a arte não precisa de existir apenas numa galeria. Pode viver num espaço habitado, onde as pessoas trabalham, conversam e passam tempo.”

Para Roshi Kamdar, ver uma obra integrada num ambiente real aproxima-a das pessoas. “Às vezes ,é mais fácil imaginar uma peça em sua casa quando ela já está inserida num espaço vivo, em vez de estar pendurada numa galeria tradicional.”

“A arte quebra o gelo”

A presença de arte em ambientes de trabalho tem vindo, aliás, a ser associada a benefícios ao nível do bem-estar psicológico e emocional. Um estudo da Organização Mundial da Saúde conclui que as artes visuais podem contribuir para a redução da ansiedade, ajudando igualmente na regulação do humor e no reforço da resiliência psicológica. Obras inspiradas na natureza, imagens serenas e paletas cromáticas suaves tendem a criar ambientes mais tranquilos e propícios à concentração, um aspeto particularmente relevante em contextos profissionais de elevada pressão.

Para Pedro Appleton Figueira, sócio da Cedrus Capital, o impacto da arte no escritório tornou-se logo evidente. “Há um efeito nas pessoas que trabalham cá e outro nas pessoas que visitam o escritório sejam eles investidores, parceiros, candidatos ou empresas em que investimos”, afirma.

A Cedrus gere fundos nas áreas da tecnologia, biotecnologia, agribusiness e indústria, recebendo regularmente investidores internacionais e fundadores de empresas. E, segundo Pedro Appleton Figueira, a reação repete-se com frequência. “Muitas pessoas esperam encontrar um escritório financeiro clássico, frio e cinzento. Depois entram aqui e encontram uma casa cheia de arte. Isso quebra imediatamente o gelo.”

Mais do que um elemento decorativo, a arte funciona aqui como ferramenta de aproximação e humanização do espaço. Para o gestor, o impacto faz-se sentir também no quotidiano das equipas. “Sou um adepto da beleza. Acho que as pessoas devem viver rodeadas de coisas bonitas. Faz bem à cabeça, ao espírito.”

Pedro Appleton Figueira explica que tanto na arte como no investimento existe sempre uma camada invisível que exige tempo, interpretação e sensibilidade. “Posso olhar para um quadro e ver apenas formas e cores. Ou posso descobrir novas leituras cada vez que olho para ele. Nas empresas acontece o mesmo.”

Ao contrário do que acontece noutros espaços corporativos, como a Fundação PLMJ, cuja coleção pertence à própria instituição, a Cedrus “não é dona da arte”. Tanto os quadros como as peças de cerâmica estão em constante circulação. Na sala principal, o primeiro espaço que acolhe quem entra, as obras mudam regularmente. Roshi Kamdar explica que muitas das peças acabam por ser adquiridas, tornando o escritório num espaço vivo, em permanente transformação.

A curadora conta que uma das vendas mais inesperadas aconteceu já depois da meia-noite, quando um guia levou ao escritório alguém ligado à banda Marilyn Manson.

Para além disso, espaço começou também a acolher eventos que cruzam arte, tecnologia, empreendedorismo e investimento.
O próximo encontro será em junho, realizado em parceria com o clube Red Bridge, onde a Cedrus vai reunir membros da comunidade tecnológica de Lisboa e Silicon Valley para debater arte, criatividade e negócios.

*Notícia atualizada às 17h40 do dia 26 de maio. Ao contrário do que foi dito ao 24notícias sobre a venda de arte ao baterista dos Metallica, foi retificado pela equipa de comunicação que se tratava afinal da banda Marilyn Manson. 

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