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O recinto começa a encher e a adesão ao festival é cada vez maior. A vontade é de testar até onde pode chegar o Tradidanças, comentou Filipa Pereira , da organização, com o 24notícias.
Deixou de ser um festival pequeno, local, quando ganhou nome pela proposta diferente que ofereciam, menos mainstream. Isso traduz-se, também, nos artistas que convidam. A Cantadeira com Fio à Meada e Rita Nora, Galandum Galundaina e Orquestras de Flores são os cabeças de cartaz dos próximos dias.
Tânia Martins Ramos, artista convidada do Tradidanças, do grupo Fio à Meada, acredita que "a música é terapêutica" e permite a idealização do "conceito de comunidade", concretizada no Tradidanças pela participação nas aulas e espetáculos. "Mais do que um ponto de encontro de artistas, é um ponto de criação de novos artistas, e isso é o que nos permite ter esperança no futuro".
Aqui, a música e som é, para lá da vibração dos corpos e do ritmos das pulsações, uma forma de expressão cultural e identitária da herança de cada um. xCristinaxx é da Galiza e contou ao 24notícias que vem ao festival desde o início e espera para o ano voltar.
As referência de São Pedro do Sul
A investigação é também uma componente evidente do trabalho que acontece nos bastidores desta festa.
De Coimbra, a Orquestra Típica e Rancho mostrou que até jovens podem candidatar-se ao Tradidanças e participar com os seus grupos. Os estudantes vestiram-se a rigor para dar uma oficina de danças tradicionais da região de Coimbra.
Para Joana Carvalho, membro do grupo, participar neste festival significa “lembrar a importância de criar espaços de diversidade na promoção do património material e imaterial de regiões de várias partes do mundo”, e ainda poder fazê-lo entre amigos.
Rita Dias, do grupo Fio à Meada, concorda que essa é a verdadeira magia deste lugar: "Eu vinha mesmo se não fosse convidada para atuar. É muito bonito ver tanta gente, de idades diferentes e lugares diferentes do mundo a criar uma comunidade aqui".
Contudo, lamenta o facto de serem sempre as mesmas pessoas a conhecerem estas atividades, lembrando que há mais grupos a fazer arranjos de temas tradicionais, ainda que isso crie um sentido de comunidade e acolhimento especial, difícil de encontrar noutros festivais de maiores dimensões.
"Este é um espaço para experimentar coisas novas", acrescenta. Também no âmbito do estudo etnográfico e da partilha de conhecimento, uma das referências do canto polifónico das mulheres nesta zona é Isabel Silvestre, de Manhouce, onde chega também o Tradidanças. Numa caminhada etnográfica, os participantes acompanham uma voz simbólica do repertório da terra, que dedicou o seu trabalho à preservação da cultura das beiras.
Vender o que é artesanal e sustentável
Para lá dos espaços de aula, há uma zona destinada a lojas de roupa em segunda mão ou feitas à mão. Uma das tendas está sempre cheia, vende sapatos com material reciclável, que à medida que os dias passam vão saindo das prateleiras para os pés dos bailarinos.
Cristina tem uma loja de segunda mão montada no festival, onde trabalha todos os dias. Vem ao festival “pela boa energia”, não só pelo trabalho, mas pelas pessoas. Vende saias e vestidos seus, brincos e colares, e todos podem servir-se do espelho e do provador para levar uma recordação para casa.
Ao fundo, um espaço dedicado a instrumentos produzidos à mão: flautas, tracanholas, apitos e pandeiretas. Há ainda um bengaleiro de instrumentos, onde toda a gente pode deixar os seus adufes e gaitas para recuperar no final da festa. Quando as tendas ficam vazias e as oficinas acabam, homens e mulheres juntam-se à mesa, na zona da restauração, e cantam e bailam até de manhã.
Há sempre alguém que puxa uma moda, ou pede um tema. Como referia Rita Dias, o público já é habitual, muitos conheceram-se no festival, e servem-se desta última semana de julho para recuperar energias e encontrar amigos.
Para os próximos dias, a expectativa é que cheguem mais pessoas. A maior parte monta a tenda e fica para o fim de semana, até domingo. As filas para a cantina e para os supermercados também ficam maiores.
Fora do recinto, os visitantes compram água fresca para suportar o calor e fazem as suas refeições, para ter energia para o programa de atividades que os espera.
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