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A descoberta foi feita pelo negociante de arte belga Klaas Muller, que comprou a obra há três anos, depois de esta ter sido catalogada apenas como um estudo em papel de um mestre anónimo da “escola flamenga”. O leilão foi promovido por uma casa de menor dimensão no norte da Europa.
“Não tinha a certeza de que fosse um Rubens, mas parecia muito rubenesco. Era um risco”, contou Muller ao jornal britânico The Guardian. Admirador confesso do pintor barroco flamengo, o colecionador decidiu avançar com a compra por “um preço razoável”, sem imaginar que estava a adquirir duas obras do mestre numa só folha reutilizada.
O estudo representa um homem idoso, careca e de barba espessa, figura que surge repetidamente em algumas das obras mais conhecidas de Rubens. Ao rodar o papel 180 graus, torna-se visível, através da barba do modelo masculino, a silhueta de uma cabeça feminina, pintada anteriormente. Segundo os especialistas citados pelo jornal, Rubens terá reutilizado o papel de um trabalho anterior, prática comum na época, traçando depois o novo estudo por cima.
A autenticação ganhou força após vários meses de análise conduzida pelo historiador de arte Ben van Beneden, antigo diretor da Casa de Rubens, em Antuérpia. “É preciso cautela, porque se trata de material de trabalho e não de uma obra feita para o mercado, mas a qualidade técnica é excecional e muito viva”, afirmou.
A figura masculina identificada no estudo aparece em várias pinturas célebres do artista, como “A Elevação da Cruz”, na Catedral de Antuérpia, “A Adoração dos Magos”, no Museu do Prado, e “O Tributo da Moeda”, no Museu da Legion of Honor, em São Francisco. Segundo Van Beneden, a obra agora descoberta poderá mesmo ser o protótipo perdido de um estudo de cabeças usado repetidamente por Rubens.
Nos últimos anos, estudos de Rubens têm sido vendidos por valores entre 500 mil e um milhão de libras, o que reforça a importância da descoberta.
O quadro encontra-se atualmente na casa de Klaas Muller e será apresentado ao público a partir de 25 de janeiro, na Brafa Art Fair, em Bruxelas. O negociante espera que a obra possa vir a integrar, em regime de empréstimo de longa duração, a coleção de um museu.
“Mesmo sendo um estudo, merece ser visto pelo maior número de pessoas possível”, afirmou.
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