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A controvérsia ganhou visibilidade pública em março deste ano, quando a presidente da Sentebale, Dra. Sophie Chandauka, utilizou uma entrevista ao programa Sunday Morning With Trevor Phillips, da Sky News, para acusar o príncipe de “bullying em larga escala”. Estas declarações surgiram após a saída de Harry e de outros membros da organização, que pediram a demissão da presidente alegando que seria "no melhor interesse da associação".

Segundo Chandauka, Harry teria “autorizado a divulgação de informação prejudicial ao exterior” sem consultar os restantes membros da direção. O duque e a duquesa de Sussex recusaram, na altura, prestar qualquer declaração formal sobre o tema.

No seu relatório agora publicado, a Charity Commission não encontrou evidências de “assédio ou intimidação generalizados ou sistemáticos”, incluindo comportamentos misóginos. No entanto, reconheceu a “forte perceção de má conduta sentida por diversas partes envolvidas”, e o impacto emocional que isso possa ter causado.

A entidade reguladora criticou todas as partes pelo modo como permitiram que o conflito interno se tornasse público, com impacto direto na imagem da Sentebale e na confiança do público no setor caritativo. Apontou ainda falhas na definição de funções e nas políticas internas da associação, que terão alimentado mal-entendidos e tensões.

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O porta-voz do príncipe Harry declarou que o relatório “não surpreende” ao não apontar qualquer má conduta ao duque, mas lamentou que “fica aquém em vários aspetos, principalmente no facto de que as consequências das ações da atual presidente não serão por ela assumidas, mas sim pelas crianças que dependem do apoio da Sentebale”.

Harry pretende agora concentrar-se em “encontrar novas formas de continuar a apoiar as crianças do Lesoto e do Botswana”.

Por sua vez, Chandauka disse apreciar as conclusões da Charity Commission, que confirmam, segundo ela, preocupações de governação levantadas em privado no início do ano. No entanto, criticou a “campanha mediática adversa lançada por quem se demitiu em março”, considerando que esta causou “danos incalculáveis” e revelou “comportamentos inaceitáveis que ocorreram em privado”.

A correspondente da Sky News para assuntos da realeza, Rhiannon Mills, afirmou que este relatório dificilmente encerrará a polémica: “Fontes próximas do príncipe dizem que ele está profundamente abalado e vê isto como nada menos do que uma tomada hostil”.

A Sentebale, fundada em 2006 pelo príncipe Harry e pelo príncipe Seeiso do Lesoto, apoia crianças vulneráveis afetadas pelo VIH/SIDA em África Austral.