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As dez obras que integram o ciclo terão estreiam simultaneamente a 10 de setembro no Cinema Trindade, no Porto, e na plataforma de streaming Filmin.
Ao longo de quase cinco décadas, Akerman construiu uma das obras mais singulares e influentes do cinema contemporâneo, explorando temas como o quotidiano, a intimidade, o tempo, o espaço, a memória e a experiência feminina.
Em nota enviada às redações a Filmon lembra que Chantal Akerman é considerada uma das realizadoras mais importantes e influentes do cinema contemporâneo e que construiu, ao longo de quase cinco décadas, uma obra marcada por uma linguagem muito pessoal. Entre a ficção, o documentário e o cinema experimental, explorou temas como o quotidiano, o tempo, o espaço, a intimidade, a memória, a solidão e a experiência feminina.
O ciclo reúne dez obras fundamentais de diferentes períodos da sua carreira. A programação começa com Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), considerado pela Sight & Sound o melhor filme da história do cinema. Na obra, Delphine Seyrig interpreta Jeanne Dielman, uma mulher presa à rotina doméstica e à repetição das tarefas quotidianas. O filme tornou-se uma referência essencial na representação da experiência feminina e no cinema feminista.
Integra também o ciclo Hôtel Monterey (1972), no qual Akerman observa um hotel de Nova Iorque através de longos planos dos seus espaços e habitantes, sem recorrer a uma narrativa convencional. Em Je, tu, il, elle (1974), realizado quando tinha apenas 24 anos, aborda a solidão, o desejo e a sexualidade através de uma narrativa fragmentada e profundamente pessoal.
Em News from Home (1976), Akerman filma Nova Iorque enquanto se ouvem cartas enviadas pela sua mãe a partir de Bruxelas. A cidade transforma-se, assim, num espaço de distância geográfica e emocional, numa reflexão sobre a memória e o afastamento de casa.
Les Rendez-vous d’Anna (1978) acompanha Anna, interpretada por Aurore Clément, numa viagem pela Europa que recupera várias experiências da própria realizadora. Já Toute une nuit (1982) decorre durante uma noite de Verão em Bruxelas e acompanha encontros, separações e aproximações amorosas, explorando sentimentos de desejo, aceitação e rejeição.
O ciclo inclui ainda Golden Eighties (1986), numa versão restaurada, um dos filmes mais festivos de Akerman, marcado pela cor, pela música e pela estética dos anos 80. Em Histoires d’Amérique (1989), a realizadora aborda a memória e a identidade dos judeus americanos através de histórias, situações cómicas e episódios do quotidiano.
Em D’Est (1993), Akerman utiliza uma abordagem próxima do diário em vídeo para refletir, de forma poética, sobre a Europa depois da queda do Muro de Berlim e do colapso da União Soviética.
Por fim, o ciclo apresenta No Home Movie (2015), o último filme da realizadora. Construído a partir de conversas com a sua mãe, Natalia, é simultaneamente um retrato familiar e uma reflexão sobre a memória, a ausência e a passagem do tempo. Realizado pouco antes da morte de Akerman, o filme assume também uma dimensão de despedida.
A parceria entre a Nitrato Filmes e a Filmin permite descobrir a obra de Chantal Akerman simultaneamente na sala de cinema e em casa, reforçando a aposta no cinema de autor e na redescoberta de obras fundamentais da História do Cinema.
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