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Já na sua segunda temporada, O Clube dos Poetas Mortos, em cena no Teatro da Trindade, continua a esgotar sessões até agosto e a produção já pondera uma terceira temporada e uma digressão pelo país.

Da parte do diretor artístico e também ator da peça, Diogo Infante, existia inicialmente a preocupação de que o público pudesse sair desiludido com a adaptação de um filme tão marcante.  No entanto, a reação do público acabou por superar as expectativas. "Começámos a perceber que as pessoas abraçaram a proposta com muito carinho", afirma ao Diário de Notícias.

A peça, encenada por Hélder Gamboa, conta com Diogo Infante no papel de John Keating, Virgílio Castelo como diretor Nolan e Diogo Mesquita no papel do pai de Neil Perry. O elenco jovem, escolhido através de casting, é composto por Dany Duarte, Diogo Fernandes, Jaime Pinto Gamboa, João Maria Cardoso, João Sá Nogueira, Nuno Represas, Rafael Leitão e Rui Pedro Silva.

Sobre a adaptação teatral, Hélder Gamboa confessa ao mesmo jornal que queria "fugir um bocadinho ao filme. Vamos por outros caminhos que o teatro nos dá. A mensagem tem de ser passada de uma maneira diferente. Há outro ritmo. Mas o texto, que é brilhante, está lá."

Hélder Gamboa pediu ainda aos atores que evitassem ver o filme durante os ensaios, para que as influências cinematográficas não se impusessem à construção do espetáculo.

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"Carpe diem. Aproveitem o dia, rapazes."

O Clube dos Poetas Mortos, lançado em 1989, atravessa gerações. Escrito por Tom Schulman, o filme acompanha John Keating, professor de Inglês da Welton, escola conservadora e conhecida por formar a elite dos EUA, que desafia os alunos a descobrirem as verdadeiras paixões.

Numa escola regida pelos princípios da "Tradição, Honra, Disciplina e Excelência", Keating rompe com os métodos de ensino convencionais.

Depois de dizer aos alunos que o podiam chamar "Senhor Keating ou se fossem mais ousados "Ó Capitão! Meu Capitão!" (poema de Walt Whitman sobre Abraham Lincoln), incita os alunos a rasgar a introdução de Pritchard sobre a forma de analisar poesia: "Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonita. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está cheia de paixão."

É através dele que Neil Perry, Charles Dalton, Todd Anderson e os restantes colegas descobrem o significado de Carpe Diem e recuperam o antigo Clube dos Poetas Mortos, onde se reúnem para ler poesia.

O mais entusiasta é Neil Perry, que começa por citar Henry David Thoreau: "Fui para a floresta porque queria viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sugar toda a medula da vida."

Neil Perry, impregnado daquele espírito de agitação intelectual, acaba por confessar a Todd Anderson o sonho de ser ator e decide participar numa peça de teatro, apesar da oposição do pai, que insiste em vê-lo seguir Medicina.

Sem descurar qualquer forma de arte, o teatro sente-se na pele. E é assim que O Clube dos Poetas Mortos deve ser vivido.

A mensagem permanece atual, deixar de viver a vida em piloto automático e encontrar as verdadeiras paixões. Trata-se de pensar com liberdade e presença.

É também essa atualidade que continua a surpreender Hélder Gamboa: "Há uma coisa que já me está a fascinar, são avós a trazer os netos, pais a trazer os filhos que nunca viram este filme. Apesar de vivermos num mundo global, onde supostamente estaríamos mais próximos, estamos mais fechados na nossa máquina."

Para Diogo Infante, a peça evoca ainda uma memória muito portuguesa: "Lembra um período austero, de grande conservadorismo, onde as pessoas tinham muita dificuldade em sonhar e em ter voz. É isso que a autoridade do reitor e do próprio pai representa. É sobre isso que devemos refletir."

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