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No espetáculo, André Murraças revisita uma amizade improvável com Freddy Krueger, a figura de terror que, durante os anos de liceu, funcionou como refúgio face ao bullying e à violência escolar. “Os filmes de terror eram uma paixão que servia de escape, um mundo alternativo para conseguir superar os incidentes à minha volta”, recorda o ator ao 24notícias, descrevendo essas personagens como “diferentes, marginais, estranhas na sociedade", um espelho simbólico do próprio sentimento de não pertença.
Criado por Wes Craven, Freddy Krueger tornou-se um dos ícones maiores do cinema de terror com o filme Pesadelo em Elm Street (1984). A história do assassino que persegue adolescentes nos sonhos, onde o medo é inevitável e não há fuga possível , marcou profundamente a cultura popular dos anos 80 e ajudou a definir o auge do subgénero slasher, presença constante no imaginário de uma geração que cresceu entre o VHS e as sessões tardias de cinema.
Escrever e interpretar a peça é para si um processo natural: “Faço tudo ao mesmo tempo: escrever, pensar no espetáculo, na cenografia. Nasce tudo junto”, revela o também encenador, que celebrou 50 anos no dia da estreia (19 de fevereiro), altura em que conseguiu finalmente olhar para o passado com distanciamento.
“O objetivo não era fazer as pazes com o passado, mas entender e estruturar o que aconteceu e criar um caminho”, diz o ator. Para quem, a arte apareceu como forma de sobrevivência: “O teatro salvou-me. Se calhar tinha-me tornado o Freddy Krueger da Amadora”, diz a rir-se.
“Para os adolescentes que se sentem diferentes, essa diferença pode tornar alguém especial”, acrescenta.
O espetáculo mistura momentos íntimos com o diálogo com Freddy Krueger, leituras de agendas pessoais e a presença constante das cassetes de Pesadelo em Elm Street, construindo um retrato íntimo e divertido de uma adolescência marcada pelo ostracismo, mas também pela descoberta das próprias paixões e identidade.
“O meu Amigo Freddy Krueger” é uma experiência para todos, para quem se sentiu diferente, mas também para quem sempre se inseriu num modelo normativo e quer olhar com empatia para quem é diferente, numa viagem que é, acima de tudo, sobre a descoberta de si mesmo através da arte.
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