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A idade, ainda hoje, funciona como fronteira social. Aos 40, aos 50 ou aos 60, a expectativa é que a mulher se contenha, abrande, esconda rugas, apague as marcas e maquilhe as provas. “Só ter 44 anos não me aquecia nem me arrefecia”, recorda Fátima Lopes. Mas, no espelho, os outros insistiam em ver o número antes da pessoa.
A apresentadora diz que nunca se sentiu ofendida pela pergunta: “Quando vem alguém com aquela velha frase de não se pergunta a idade às senhoras, eu respondo: pergunta, pergunta. São 56”. E acrescenta, com ironia: “Se se pergunta aos homens, porque não se pergunta às mulheres?”
O tabu da idade, explica a médica Minnie Freudenthal, não surge por acaso: “Serve certos tempos da sociedade. Os velhos são considerados menos eficientes, menos produtivos. Existem ideias preconcebidas sobre o que é ter "mais idade"."
O prolongamento artificial da juventude tornou-se norma. Fala-se de anti-aging, nunca de aging com qualidade, refere Jéssica Athayde.
Minnie Freudenthal olha para o envelhecimento através de uma lente completa: “o corpo, a mente e as emoções”. É nesse cruzamento que se revela o que ainda não foi dito: envelhecer não é defeito biológico, é narrativa cultural. “Se dormir bem, se comer bem e exercitar, caminha-se para se ter uma vida saudável, e chegar ao envelhecimento de uma forma mais tranquila”. A médica, contudo, afirma que, "mesmo assim isso pode correr mal".
A médica, nascida em Luanda, diz-se uma "velha feliz”. A felicidade como possibilidade, não como exceção. “O envelhecimento pode ser maravilhoso na nossa vida.”
Mas viver mais exige viver melhor. E aqui entram os pilares que não cabem em slogans de creme antirrugas: sono, movimento, alimentação, gestão emocional. “Manter a curiosidade é o melhor antídoto do mau envelhecimento”, diz a especialista de saúde.
Explicando depois o conceito de “inflammaging”, inflamação associada ao envelhecimento. Não é súbita, é silenciosa, começa cedo: "Os nossos hábitos têm imensa influência na velocidade, na intensidade da inflamação da idade. Começa na infância.” Acrescentando que "se um stress muito grande acontece na vida, parece que se envelhece imenso nessa altura. Veja-se os presidentes norte-americanos: entram jovens e saem velhos.”
A equação é simples, mas exige disciplina, “Não é justo que se ponha medicação em cima quando a mesa está torta. Um comprimido sem sono, sem movimento e sem regulação emocional não consegue equilibrar a mesa.”
Vivemos no tempo do imediato, pele firme em sete dias, detox de 48 horas, injeções para perda de peso. “Desresponsabilizou-se muito a relação com a própria saúde”, nota Minnie Freudenthal. “Quer-se tudo instantâneo e rápido, e de preferência que não tenhas de fazer nada.”
Mas não há milagre: “Se pudesses estar sentada, a limar unhas, e que te caísse no colo saúde, beleza e juventude, era perfeito. Mas não existe.”, afirma Fátima Lopes.
Não existe, e o corpo cobra. A própria é prova disso. Quando aceitou três programas em simultâneo que a fizeram perder folgas e como consequência sono e rotina.“Tudo o que eu sabia que precisava de fazer, não tinha capacidade. Punha os fones para fazer meditação e, passado um minuto, já estava perdida.”
O diagnóstico de "príncipio de burnout" obrigou-a a parar. “A prioridade tinha de voltar a ser eu.” Falou com a entidade patronal, recuperou hábitos, retomou descanso: o corpo, por fim, foi ouvido.
“Mantemos as emoções na mente, não no corpo”, alerta Minnie. A desconexão é total: cuidamos do rosto antes de cuidar do sono, da pele antes da respiração.
Estamos, diz, perante uma geração que chega à idade adulta exausta: “Há um crescimento brutal de problemas emocionais no jovem." No seu projeto, Mind blackout, que é dedicado à prevenção da doença mental ensina literacia emocional a toda a gente, desde jovens a idosos. Sendo os principais objetivos o de perceber como funciona o sistema nervoso, como se pode melhorar hormonas e pensar no corpo de uma forma positiva.
A proposta é clara: formar, não apenas tratar. “Temos de ter cursos não académicos sobre sistema nervoso e hormonas na educação", aponta.
Dormir é reparação, não luxo
O sono surge como urgência, não apenas como descanso: “É um dos momentos metabólicos mais ativos do corpo.” A noite repara, organiza e limpa. “Uma terapia noturna, que arredonda as emoções”, descreve a médica.
Sem ele, nada funciona nem pele, nem humor, nem imunidade.
Envelhecer com orgulho
“Um elogio é estar bem, se tu te sentes bem”, acrescenta Fátima. A idade orgulha-a. “Eu sou hoje melhor comunicadora do que quando comecei com 25 anos. Esta que aqui está é isto tudo, porque envelheceu.”
À pergunta de Jéssica Athayde se gostariam de abordar algum ponto que não tivesse sido discutido durante a conversa, a ex-apresentadora da TVI diz: “Não tenham vergonha de envelhecer. Tenham orgulho de envelhecer. Se não envelhecessem, não eram as mulheres que são. Aceitem o envelhecimento como parte natural da vida.”
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