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Figura central da pop art britânica nos anos 1960, Hockney ganhou projeção internacional com as suas pinturas de piscinas californianas, superfícies luminosas, águas imóveis e corpos suspensos que se tornaram símbolo da estética de Los Angeles. Obras como A Bigger Splash e Portrait of an Artist (Pool With Two Figures) cristalizaram uma visão simultaneamente hedonista e melancólica da vida moderna, onde o prazer convivia com a solidão e a perda.

Nascido em 1937, em Bradford, no norte de Inglaterra, cresceu numa família operária politicamente ativa, que incentivou desde cedo o seu talento artístico. Após estudar arte na sua cidade natal, ingressou no Royal College of Art, em Londres, onde rapidamente se destacou pela originalidade e pela recusa em submeter-se a convenções académicas. Essa atitude irreverente acompanhá-lo-ia ao longo de toda a carreira.

Assumidamente homossexual numa época em que a homossexualidade era crime no Reino Unido, Hockney foi também um artista profundamente político, ainda que raramente panfletário. As suas obras dos anos 1960 retrataram a vida gay com frontalidade inédita, desafiando uma sociedade conservadora e repressiva. O seu trabalho tornou-se, assim, um espaço de afirmação identitária e liberdade pessoal.

Apesar de frequentemente associado a uma iconografia específica, Hockney recusou ser prisioneiro de um único estilo. Explorou a colagem fotográfica para questionar a perspetiva tradicional, aproximou-se da abstração na pintura de paisagem, trabalhou em cenografia para ópera e ballet e, já em idade avançada, abraçou com entusiasmo as tecnologias digitais. Utilizou fotocopiadoras, fax, impressoras e, mais tarde, o iPad, produzindo centenas de desenhos digitais que partilhava com amigos quase em tempo real.

A sua curiosidade intelectual manteve-se intacta até ao fim. No livro Secret Knowledge, publicado em 2001, lançou um debate controverso ao sugerir que mestres da pintura clássica teriam recorrido a dispositivos óticos para alcançar maior realismo — uma tese que dividiu historiadores de arte e confirmou o seu gosto pela provocação fundamentada.

Apesar da imagem pública de boémio sofisticado, cabelo louro platinado, óculos redondos e cigarro sempre presente, Hockney manteve uma disciplina de trabalho rigorosa. Mesmo após um AVC, em 2012, que afetou temporariamente a fala, continuou a produzir. Vivia entre Londres e Yorkshire, tendo regressado definitivamente ao norte de Inglaterra nos anos 2000.

Em 2018, alcançou um marco histórico ao tornar-se o artista vivo mais caro do mundo em leilão, quando Portrait of an Artist (Pool With Two Figures) foi vendido por mais de 90 milhões de dólares. O reconhecimento institucional, porém, nunca o seduziu plenamente: recusou distinções oficiais e manteve uma relação crítica com o poder e as convenções sociais.

David Hockney acreditava que desenhar era, antes de tudo, aprender a ver. O seu legado não se mede apenas em recordes ou ícones visuais, mas na forma como ensinou gerações a olhar o mundo com atenção, prazer e inquietação. Como afirmou numa das suas últimas entrevistas, "não vivia da memória nem da nostalgia, vivia no presente. Sempre no agora".

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