Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
“Quando comecei o primeiro capítulo, não sabia que ia durar dez anos”, conta Holly Hood ao 24notícias. “Havia algumas coisas que já sabia que queria fazer, mas outras foram aparecendo pelo caminho”. É neste percurso que se percebe a intenção por trás da trilogia que chega ao fim com o lançamento de Opressionismo: criar uma evolução artística que se nota ao longo do tempo, observando a carreira do artista crescer a cada projeto - uma ideia que remete ao filme Boyhood, que acompanhou os atores durante 12 anos para captar a maturação real de cada um.
O que é Opressionismo?
Questionado sobre o título do álbum, Holly Hood explica: “É uma ideia super abstrata que eu tive para arranjar um nome que catalogasse a poesia ofensiva, que já existe desde a altura dos gregos”. No braço, tem tatuado o nome do poeta grego Hipônax, creditado como o inventor da poesia ofensiva, uma tradição literária que atravessa séculos.
"É um nome, como se arranjou para catalogar o cubismo e o surrealismo", conta.
O fim deste ciclo, como o próprio diz, também pode ser visto como um recomeço: “Na minha opinião, o final de algo é sempre o início de outra coisa, do que vem a seguir. É o final deste álbum específico, e ao mesmo tempo é o abrir de portas para um monte de coisas que eu posso fazer que sentia que não podia enquanto não tivesse o álbum completo”.
Uma obra completa
Desde sempre, Holly Hood tratou os seus álbuns como obras completas, onde música, imagem e simbologia se complementam. A necessidade de controlo criativo não é apenas ambição, vem da formação e do gosto pelas artes.
“Eu sou conhecido pela música, mas faço um monte de outras coisas. Faço as ilustrações das minhas capas, realizo videoclipes e aprendi a produzir. Tudo o que aprendi foi para complementar a música, e acabou por evoluir por si próprio”.
Sobre a componente visual, o artista reforça que esta revela camadas do seu trabalho que a música sozinha não consegue transmitir: “Ouvindo só as músicas, as pessoas são remetidas para uma ideia super específica. Mas quando vêm os vídeos, as capas e as referências, percebem que não é assim tão unilateral. Tenho muitas referências visuais de cinema e ilustração que tento complementar depois com a música, que é sempre a parte mais importante do que faço”.
O universo da perfumaria
No auge da pandemia, Holly Hood descobriu o universo da perfumaria, que rapidamente se tornou mais uma faceta da sua expressão artística. “Foi mais a perfumaria que me descobriu a mim do que eu a ela. Hoje tenho um estúdio com mais de 400 ingredientes”.
O perfume Água do Crime, da sua marca Pontimolla, acabou por inspirar também uma música do álbum, unindo os universos de forma natural. “Foi algo super natural. Quis unir os universos sem ter que dizer: olha, este perfume é meu. As pessoas sabem que sou eu, mas sem precisar de dar muito a cara”.
A evolução do "hip-hop tuga"
Sobre o impacto da sua carreira, Holly Hood mantém uma postura ponderada: “Não sei se ajudei a mudar alguma coisa, mas contribuí, certamrnte, para algumas coisas. Quando eu apareci a fazer determinadas coisas, não havia muita gente a fazê-las. Sinto que influenciei uma coisa ou outra”.
Em relação ao panorama atual do rap português, nota diferenças claras: “Há 10 anos, os rappers podiam fazer mais do que queriam e ainda assim ser bem-sucedidos. Hoje em dia, é muito difícil fazer rap bem-sucedido se não roçarmos quase no pop rap”.
O concerto no Coliseu
O público que for ao Coliseu, na noite de 14 de março, poderá ver todas as músicas da trilogia interpretadas ao vivo, numa apresentação com banda, visuais e iluminação trabalhados a um nível sem precedentes na carreira do artista.
“É a primeira vez que vou tocar com banda, e toda a parte visual e gráfica está trabalhada de forma inédita. Este concerto só vai acontecer desta forma no Coliseu, e mais tarde seguiremos para a estrada com uma versão simplificada”.
Além da performance completa do álbum Opressionismo, os fãs vão revisitar os clássicos que consolidaram Holly Hood na indústria do hip-hop português. “As pessoas vão poder ver o álbum completo do início ao fim, e ainda teremos tudo o resto que veio antes. As três partes do álbum serão tocadas na íntegra”.
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários