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Segundo os curadores, a mostra questiona as relações seculares entre Brasil e Portugal, refletindo sobre o país como resultado de uma ação colonial de larga escala e buscando dissolver estereótipos e abrir novas pontes de entendimento entre os dois países.

O projeto, promovido pelo Programa Gulbenkian Cultura, surge numa altura em que a presença brasileira em Portugal se tornou mais expressiva e pretende oferecer “um novo desencobrimento do Brasil que é também um desencobrimento recíproco”, destacam os organizadores.

A exposição explora o mosaico cultural brasileiro, incluindo biomas, etnias, culturas, tempos, línguas, religiões e processos económicos. Com cenografia de Daniela Thomas, o público encontrará salas imersivas, percursos originais e vídeos inéditos, além de obras de arte, documentos e textos que revelam potências e impasses da modernidade brasileira.

As linguagens culturais — música popular, carnaval, artes visuais, literatura, poesia e arquitetura — estão fortemente presentes ao longo do percurso, refletindo a capacidade única do Brasil de promover o encantamento do mundo.

Um destaque simbólico é a presença de mantos rituais e festivos, incluindo o Manto tupinambá, o Manto da Apresentação de Arthur Bispo do Rosário e os parangolés de Hélio Oiticica, que representam o “poder de incorporação” e sintetizam o enredo cultural brasileiro.

Paralelamente, haverá um programa de atividades, com destaque para o espetáculo Complexo B, com Adriana Calcanhotto e José Miguel Wisnik, acompanhados pelo violonista João Camarero, e um concerto da Orquestra Gulbenkian com obras de Heitor Villa-Lobos e Cláudio Santoro, além de conferências e debates.

No âmbito da exposição, a Revista Colóquio dedicará um número especial à literatura e artes brasileiras do século XXI, intitulado “Este Brasil”, reunindo 40 recensões breves de livros brasileiros publicados após 2000, cobrindo prosa, poesia, ensaio, literatura infantil e roteiros cinematográficos. Os lançamentos acontecerão dias 6 e 18 de novembro, com a participação de António Feijó, José Miguel Wisnik, Clara Rowland e Joana Matos Frias.

Em parceria com a Companhia das Letras, foi também publicado um livro de ensaios, com design gráfico de José Albergaria e Kiko Farkas, aprofundando a investigação realizada pela equipa de curadores.

Sobre os curadores:

  • José Miguel Wisnik é professor na Universidade de São Paulo, ensaísta e músico, com obras publicadas e prémios relevantes, como o Prémio Jabuti e a Ordem do Mérito Cultural.
  • Milena Britto é professora da Universidade Federal da Bahia, especialista em literatura e cultura brasileira, e curadora de eventos literários como a Flip.
  • Guilherme Wisnik é professor livre-docente na Universidade de São Paulo, curador do MuBE, com várias publicações sobre arte, arquitetura e cultura urbana, e recebeu prémios como o Destaque ABCA 2018.

A exposição promete ser uma travessia imersiva pela diversidade, história e criatividade brasileiras, propondo ao público português uma experiência de descoberta recíproca entre os dois países.

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