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“Caetana. A portuguesa girlie” estreou na Prime Video, a 27 de julho, e apresenta-se como um documentário sobre Caetana Botelho Afonso e sobre a tendência de moda conhecida como “Portuguese Girlie”, da qual Caetana terá sido uma das pioneiras. O problema é que, ao fim de quase uma hora, quem começou o documentário sem saber muito bem quem era Caetana — ou o que é, afinal, uma “Portuguese Girlie” — acaba praticamente no mesmo sítio.
Se quisermos colocar as coisas noutros termos, e recorrendo a uma analogia mais geek: se a “Portuguese Girlie” fosse uma empresa, Vicky Montanari seria Steve Jobs; Caetana Botelho Afonso, Mafalda Patrícia, Rita Montezuma e Inês Isaías seriam Tim Cook. “Obviamente, a Vicky foi a pioneira. Eu, a Inês, a Mafalda e a Rita demos continuidade”, explica Caetana.
O documentário é, em grande medida, uma mão cheia de nada. Começa por apresentar Caetana Botelho Afonso, ou Cuca, como a mãe carinhosamente lhe chama: uma jovem que se move no universo privilegiado lisboeta, frequenta espaços com nomes e conceitos em inglês, é a trigémea “mais diferente”, que “parecia chinesa” quando nasceu, e que “tem orgulho” em ser considerada uma portuguese girlie.
A roupa e a moda são o sonho de Caetana. Tudo começou em 2023, quando, durante umas férias na Comporta, partilhou um reel a mostrar alguns outfits. Mas as pessoas fixaram-se não nas roupas, mas na cor da pele. Caetana revela que “recebeu muito hate”, com comentários como “black queen”, “estás muito queimada” e “maquilhas-te com Nescafé”. Conta ainda que foi importante estar de férias com a família, que acabou por ser um apoio naquele momento.
O vídeo foi o “turning point do seu Instagram” e, a partir daí, Caetana dedica-se à criação de conteúdo e assume a vontade de criar uma linha de roupa, “que quando as pessoas olhassem dissessem: ‘Esta é a Caetana’”. É também nessa fase que decide fazer um curso de costura na Maria Modista.
Caetana Botelho explica que o portuguese style é um estilo “muito carismático e único”. Inês Isaías acrescenta que é uma “expressão enquanto pessoa”.
A influencer revela que, na altura, receberam “muitas críticas”, porque aquilo não definiria o estilo de uma mulher portuguesa. “E, de facto, não define”, reconhece Caetana.
Mas, se isto parece um contrassenso, Inês Isaías explica que “o estilo português inspira-se na tradição, em coisas muito manuais, os bordados, os patchworks, conjugação de padrões”.
“A Caetana é o reflexo do portuguese girlie, sim. Não só porque foi uma das pioneiras, tal como o grupo mais próximo de amigas, ou tal como o percecionamos. São as pioneiras deste quase movimento artístico”, afirma Sofia Lucas, diretora da Vogue Portugal.
O conceito espalhou-se não só por Portugal, mas por outros países. O documentário acompanha depois Caetana e a sua equipa pelas Fashion Weeks de Milão e Paris, enquanto experimentam outfits da Moschino, óculos da Jimmy Fairly e acessórios da Dior. Há roupas, há viagens, há marcas, há hotéis, há bastidores e há muita gente gira a circular por sítios bonitos.
O que continua a não existir é uma resposta convincente à pergunta mais básica: o que é, afinal, a “Portuguese Girlie”?
Se a intenção é perceber o conceito, o documentário falha. Se a intenção é conhecer Caetana Botelho Afonso, também ficamos apenas pelo básico do básico. Sabemos que gosta de moda, que quer criar roupa, que viaja para Fashion Weeks e que considera a família, sobretudo os pais, uma das coisas mais importantes da sua vida. Mas, depois de quase uma hora, continuamos sem saber verdadeiramente quem é Caetana para lá da personagem que as câmaras decidiram mostrar.
E talvez seja esse o maior problema de “Caetana. A portuguesa girlie”, o documentário parece querer explicar um fenómeno cultural, mas acaba por ser sobretudo uma montra. Uma montra bem vestida, iluminada e cheia de nomes de marcas, mas, ainda assim, uma montra.
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