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A osteoporose é frequentemente vista como uma doença que afeta sobretudo mulheres após a menopausa ou pessoas mais velhas. No entanto, Ricardo Rodrigues Pinto defende que esta visão é redutora e pode atrasar medidas essenciais de prevenção.

Durante a conversa com Margarida Santos, o especialista explicou que o osso é um tecido vivo, em permanente renovação. "Ao longo da nossa vida, todos os dias há osso novo que se forma para substituir o osso que é degradado", referiu, explicando que o equilíbrio entre formação e destruição óssea se altera com o passar dos anos.

Segundo o ortopedista, a massa óssea aumenta até aos 20 ou 30 anos, mas, a partir daí, começa progressivamente a perder-se densidade. O problema é que a osteoporose raramente provoca sintomas numa fase inicial. "A maior parte das vezes não dói", alertou.

Ricardo Rodrigues Pinto destacou ainda que a perda de massa óssea não afeta apenas os ossos. A redução da massa muscular, as alterações articulares e as fraturas podem desencadear um ciclo de perda de mobilidade e qualidade de vida. O especialista sublinhou que "20% das pessoas que fazem uma fratura vão fazer uma nova fratura", evidenciando a importância de atuar antes que surjam complicações.

A menopausa é um dos momentos mais críticos para a saúde musculoesquelética feminina. De acordo com o médico, a diminuição dos níveis de estrogénio não afeta apenas o osso, mas também as articulações e os tendões. "Os estrogénios são reguladores da inflamação" e a sua redução pode provocar rigidez articular, dores generalizadas e acelerar a degeneração das articulações.

O exercício físico surge como uma das principais armas na prevenção e tratamento da osteoporose. O especialista destacou a importância do treino de força, citando estudos que demonstram benefícios concretos em mulheres com osteoporose. "O treino de força é um tratamento. Não é o único tratamento, mas evita a osteoporose e é um tratamento para a osteoporose", afirmou.

Além do exercício, Ricardo Rodrigues Pinto alertou para os riscos do sedentarismo e dos estilos de vida modernos. Passar muitas horas sentado constitui um fator de risco, mesmo para quem pratica atividade física regularmente. "Nós não podemos achar que, por termos feito meia hora ou uma hora de exercício físico de manhã e depois passarmos dez horas sentados durante o dia, que isto vai ser saudável para nós", salientou.

O médico defendeu ainda a adoção de pausas ativas durante o trabalho, uma alimentação equilibrada e um sono de qualidade como pilares fundamentais para a saúde óssea e muscular.

Sobre o rastreio da doença, o ortopedista considerou que a discussão não deve centrar-se apenas na realização de exames, mas sobretudo na prevenção. "Definitivamente nós temos que combater a osteoporose muito antes disto", afirmou, referindo-se à recomendação de rastreio apenas a partir dos 65 anos.

Ricardo Rodrigues Pinto defende que se deve encarar o osso como um verdadeiro "comunicador", capaz de influenciar a qualidade de vida ao longo dos anos. O ortopedista recorda que a esperança de vida tem aumentado, mas alerta para a importância de envelhecer com autonomia. "Nós vamos viver até aos 80 ou 90 anos, mas não queremos viver dependentes, não queremos viver isolados, acamados, com alguém a cuidar de nós", afirmou.

Para o especialista, "a melhor forma de nós combatermos essa dependência é começarmos a cuidar de nós mais cedo".

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