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LEIA ISTO QUANDO NÃO CONSEGUIR SIMPLESMENTE SER FELIZ
A felicidade não é uma epifania, é uma prática.
Por mais que a sua mente consciente lhe diga que é apenas aquilo que deseja sentir, e por mais que enumere todas as razões pelas quais já deveria sentir-se assim — todas as preces atendidas, todas as oportunidades, todas as facetas de uma vida genuinamente boa que você sabe que tem —, a verdade é que a mente subconsciente, a parte mais importante do nosso funcionamento interno, quer sentir o que é familiar.
Ficaria surpreendido com o que ela considera familiar.
Se passou anos da sua vida numa jornada de cura, aquilo que lhe é familiar é a rutura e a reparação, o processo de perder e encontrar, de terminar e começar. Familiar é curar, não ser curado. Se passou anos a sanar a tensão dentro de si, resolvendo os problemas das outras pessoas, sendo o confidente universal, o terapeuta não remunerado, a pessoa na vida de todos que se torna simultaneamente responsável por eles, pelo seu bem-estar e pelo seu futuro, familiar é a paz que encontra ao mudar o que está fora de si, não o que está dentro. O que lhe é familiar é consertar, e isso exige que vejamos sempre um problema ou que nos aproximemos daqueles que também procuram uma maneira de transferir a sua dor para uma alma disposta a recebê-la. Se passou anos com medo, com carências, com uma preocupação constante com o que virá a seguir e se ficará bem ou não, o que lhe é familiar é a incerteza. O familiar é o estado de adquirir, sem ter ainda adquirido o suficiente.
Acima de tudo, se passou anos a pensar que a felicidade é alegria — aquela sensação intensa que se tem quando algo realmente extraordinário está a acontecer —, é provável que também tenha passado todo o tempo de inatividade entre esses picos a tentar conseguir alguma coisa, a desejar e a questionar-se sobre a razão por que não surgem de forma mais rápida e consistente.
O familiar torna-se infelicidade porque não compreende realmente o que é a felicidade.
É fácil pensar na felicidade como um encadeamento desses picos que começam a unir-se num estado consistente, como estrelas que gradualmente preenchem o céu noturno até que a escuridão ao seu redor se dissipe. Na realidade, a felicidade é aquilo a que muitas vezes chamamos abertura, a capacidade de criar e ser.
A felicidade é a capacidade de percorrer constelações inteiras de experiências, galáxias desconhecidas e invisíveis, em vez de andar apenas entre terrenos familiares. A felicidade é o significado profundo que encontramos na vida que estamos a moldar, nas pessoas que estamos a tornar-nos. É onde até as tarefas mais rotineiras e comuns começam a brilhar. Encontra-se na tentativa e no erro; e é inibida pela pressão ou pela expectativa de que a nossa primeira aventura seja o nosso caminho final, pela ideia de que, se não acertamos rapidamente, não acertaremos nunca. A felicidade é a coragem para chorar quando as coisas são bonitas e também difíceis. Para sofrer. Para dizer como nos sentimos, mesmo quando isso nos assusta. A felicidade é a força para aceitar tudo como feedback e continuar a avançar. Não é algo que obtemos a partir do que está à nossa volta, mas, sim, a forma como recalibramos as diretrizes que vêm de dentro.
É assim que aprendemos a confiar em nós mesmos, a deixar a vida repousar em segurança nas palmas das mãos. Permitir que ela crie raízes, brote e cresça.
É assim que começamos a compreender que o desejo insaciável não é ter vencido o jogo, mas deixar de o jogar; retirar a nossa vida do campo do ego, voltar para o nosso próprio jardim e começar a construir algo belo.
O que provavelmente procura não é a sensação de ter chegado, mas a sensação de que pode continuar.
É no desejo de chegar ao fim de tudo deixando um legado, uma vida plenamente vivida, que reside o verdadeiro significado — e sentido? É o que fortalece a nossa determinação, a nossa vontade. Que tece a nossa história, que nos dá coragem e fé.
O significado é o que nos permite suportar os momentos difíceis e aceitar os momentos bons. O significado é aquela vontade silenciosa de continuar. O significado não exige que alcancemos o nível seguinte, mas que percebamos que o milagre já está presente. O significado não quer que ignore- mos o desconforto para manter um nível mais alto, mas que aceitemos o que é difícil na busca do que é belo. O significado é a forma como amamos uma criança. O significado é a forma como olhamos para a nossa vida daqui a décadas e pensamos: «Gostava de me ter esforçado mais, gostava de ter tentado.» Não porque essas coisas sejam simples, mas porque valem claramente a pena.
Uma vida com significado é acordar todos os dias entusiasmado com o que vai ser criado, vivido e sentido. É apaixonar-se profundamente pela escalada. É reconhecer que não há outro destino a não ser a morte. Uma vida com significado é aquela em que vemos e compreendemos que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos. Sim, os tais picos são incríveis quando os encontramos, mas não são constantes para ninguém. Quando o são, muitas vezes, ofuscam o corpo e a mente. Somos fortalecidos onde somos desafiados, crescemos onde somos empurrados a abrir-nos e a seguir em frente. Estamos aqui para criar algo, e esse algo é, em primeiro lugar, nós próprios. Esses eus são os instrumentos através dos quais somos capazes de tocar a música da nossa vida.
O significado não está em conseguimos evitar lavar a louça, mas em encontrar, antes do mais, gratidão e paz na produtividade de ter um lar para cuidar.
O significado não é o que é recebido, mas o que é experimentado na virtude de dar.
A pergunta que realmente deve fazer a si mesmo é: como quero que a minha vida seja nos momentos mais tranquilos e modestos, e o que estou disposto a suportar para criar essa sacralidade da realidade para mim mesmo?
Uma vida com significado pode parecer um estado absolutamente impossível de alcançar, como se uma questão tão complexa e existencial não pudesse ser respondida de forma fácil ou simples. Porém, você já sabe o que quer. São as coisas que se sente inspirado a fazer todos os dias. Quando esses impulsos são ignorados por tempo suficiente, endurecem e transformam-se em barreiras que são acionadas quando algo exerce pressão contra elas. É por isso que as nossas maiores feridas apontam muitas vezes para os nossos destinos mais profundos —porque são o mesmo lugar onde reside o potencial mais acumulado que permaneceu intocado.
O seu significado é a forma como gostaria de mudar o penteado, o projeto que tem no trabalho, a forma como organiza os armários, os amigos a quem envia mensagens, as coisas em que se inscreveu, os emails a que tem de responder, o treino a que continua a faltar. Como é bom fazer as coisas mais simples de todas: limpar a bancada depois de um dia longo e exaustivo, deitar-se e simplesmente respirar. O seu significado é o grande amor que sabe que está destinado a encontrar quando deixar de permitir que os pequenos ocupem tanto espaço. É a paixão à qual sabe que está destinado a dedicar uma parte significativa da sua vida, as viagens que sabe que está a ser chamado a fazer, os lugares que está destinado a ver e a conhecer.
Quando começa a ver cada um desses momentos de conhecimento interior como pequenos convites para o significado, começa a ganhar impulso. Fica cada vez mais inspirado, porque se sente cada vez mais realizado. Torna-se maisprodutivo. A sua capacidade aumenta. Começa a ver mais oportunidades e a aproveitá-las. Faz isso repetidamente, durante tempo suficiente, e descobre que mudou toda a sua vida. Em vez de procurar o próximo marco, o próximo motivo de orgulho, começou a procurar a alegria do amanhã. Deixou de tentar encontrar a felicidade na ideia de como as coisas são boas, mas sim na experiência vivida, hora a hora, de as tornar aquilo que quer que sejam.
Quando não sabe o que quer, espera até que o seu coração encontre algo simples, algo fácil.
Começa por aí.
Começa onde é chamado, para onde é movido. Começa com aquilo de que provavelmente mais precisa, que é descanso, ou silêncio, ou alimentar-se bem. Quando aceita que essas pequenas formas de cura são o seu primeiro chamamento para o significado, é aí que a visão global pode começar a emergir.
No início, começa a esticar a sua esperança por milésimos de segundo.
Começa por tomar consciência de quando está a ser puxado para um velho padrão emocional e tenta por todos os meios não projetar o tornado interior no mundo exterior. Perdoa-se a si próprio. Lembra-se de que foi aqui que encontrou uma sensação de segurança. Que, pelo menos aqui, sabe o que está por vir. Sabe como é o colapso, a espiral. É uma dança que poderia fazer de olhos fechados. Permite-lhe ocupar o tempo de uma forma natural e intuitiva, porque, evidentemente, se tornou isso mesmo com o tempo. Quando constrói um novo mundo em torno de uma base elevada, é chamado a dar constantemente a si mesmo e aos outros o benefício da dúvida. Não para ser ingénuo ou cego, mas para não continuar a ligar as velhas histórias à nova realidade. Para que possa abrir os olhos de manhã e ver as coisas como elas realmente são, sem a influência da forma como a sua história quer pintá-las, para que, mais uma vez, olhe para fora e se sinta familiarizado com o que vê.
Afinal, o artista é apenas aquele que continuou a pintar. O escritor é aquele que continuou a deixar as palavras formarem frases, sentimentos, páginas, mensagens, esperança. O fotógrafo é aquele que continuou a captar. A mãe é aquela que continuou a cuidar. O professor é aquele que continuou a aprender e a partilhar. O líder é aquele que continuou a enfrentar o desconhecido e a empunhar uma tocha. O herói é aquele que continuou quando todos os outros teriam desistido completamente.
Uma vida com verdadeiro significado não é aquela em que realizamos feitos extraordinários, mas aquela em que percebemos que esses feitos extraordinários só são alcançados por meio de atos constantes e comuns. Uma vida com verdadeiro significado — que é na realidade uma vida de profunda felicidade — é aquela em que podemos ver esses atos como um só.
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