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Trinta anos passaram quase sem dar por isso. Entre concertos, discos e estradas percorridas pelo país, Miguel Gameiro e os Pólo Norte foram construindo uma das carreiras mais consistentes do pop português. Hoje, quando chegam as celebrações das três décadas de banda, é que o tempo finalmente se torna visível.
“Só nos damos conta de que passaram 30 anos nestas efemérides”, admite Miguel Gameiro ao 24notícias. “Vamos fazendo os concertos, vamos fazendo a estrada, e o tempo vai passando. Só agora percebemos que passou tão depressa”.
O que começou como um grupo de amigos que simplesmente queria fazer música acabou por transformar-se num percurso marcado por discos de ouro, grandes palcos e canções que atravessaram gerações. Temas como “Deixa o Mundo Girar”, “Aprender a Ser Feliz” ou “Pura Inocência” tornaram-se parte das memórias de muitas famílias.
No entanto, nada disso estava nos planos iniciais.
“Nós juntámo-nos porque gostávamos de música e de estar uns com os outros. Não fazíamos ideia de que iríamos gravar um álbum, muito menos que iríamos fazer carreira durante tantos anos”, recorda.
O momento em que tudo mudou
Como em muitas histórias de bandas, houve um instante em que a realidade começou a parecer maior do que o sonho inicial. No caso dos Pólo Norte, esse momento chegou cedo. Pisaram um dos seus primeiros grandes palcos juntamente com os Delfins, no Estádio do Varzim, perante milhares de pessoas.
"Para nós, uma banda nova, era completamente surreal ouvir as pessoas a cantar as nossas canções", confessa.
Mais tarde, veio o segundo momento decisivo: quando passaram de pequenas salas para grandes festivais e palcos principais.
“De repente percebemos que tínhamos uma grande estrutura, um grande palco. Foi aquele momento em que pensámos: ‘Olha, já cá estamos’”.
Canções que passam de pais para filhos
Trinta anos depois, o público dos Pólo Norte mudou, mas não desapareceu. Nos concertos, Miguel Gameiro diz ver cada vez mais famílias inteiras. Muitos dos jovens que hoje cantam as músicas da banda conheceram-nas primeiro em casa.
“Não é tanto uma descoberta espontânea”, explica. “São muitas vezes os pais que ouviam os Pólo Norte em cassete ou em CD e que acabam por passar essas músicas aos filhos”.
Essa passagem geracional ajuda a explicar porque é que temas escritos há décadas continuam a encontrar novas vozes na plateia. Mas, para o compositor, não existe nenhuma fórmula para escrever canções que resistam ao tempo.
“Se eu pensasse demasiado nisso, ia acabar por bloquear a forma como faço música”, diz, entre risos. “As canções que ficam são muitas vezes aquelas em que não pensamos demasiado. Surgem de forma espontânea”.
Uma banda à sua maneira
Ao longo destas três décadas, a música portuguesa mudou bastante. Quando os Pólo Norte começaram, as bandas eram uma presença dominante na cena pop. Hoje, o panorama é diferente.
“Havia muito mais grupos. Agora vemos muito mais artistas a solo”, observa Miguel Gameiro. “Também é mais simples. Uma banda exige mais pessoas, mais ensaios, mais logística. Dá mais trabalho”.
Mesmo assim, os Pólo Norte continuam a ocupar o seu espaço.
“Temos o nosso percurso e o nosso público”, resume. “São as pessoas da nossa geração, que tinham 19 anos quando nós também tínhamos”.
Celebrar a estrada
As celebrações dos 30 anos de carreira continuam agora no Porto. Depois de um concerto em Lisboa, a banda sobe ao palco da Super Bock Arena, a 13 de março, para mais uma noite dedicada às canções que marcaram o percurso do grupo.
O espetáculo contará com convidados como Miguel Ângelo e Olavo Bilac, nomes ligados à história da banda e às digressões que, durante anos, juntaram os Pólo Norte aos Delfins e aos Santos e Pecadores. A eles junta-se ainda Pedro Abrunhosa, um "embaixador da cidade do Porto", segundo Miguel Gameiro.
“Vai ser uma noite especial”, garante Miguel Gameiro.
Deixar o sonho acontecer
Apesar da celebração, Miguel Gameiro não vê estes 30 anos como um ponto final ou como o início de uma nova fase claramente definida. Para ele, a lógica continua a ser a mesma de sempre: fazer música e subir ao palco.
Se pudesse enviar uma mensagem ao Miguel Gameiro de há três décadas, também não seria complicada.
“Diria para não pensar demasiado”, diz, entre risos. “Para deixar o sonho acontecer”.
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