Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A Syone tem cerca de 25 anos de mercado e nem sempre teve este nome. Durante anos, representou em Portugal uma multinacional americana de software, até esta ser adquirida por outra. Foi então que ganhou autonomia e passou a desenvolver soluções com base em plataformas open source, sem deixar de usar tecnologia proprietária quando o cliente o exige.
A explicação é do CEO Eduardo Taborda. “Sendo aberto, torna-se mais flexível, mais rápido de configurar ou de alterar ou de ajustar em termos de funcionalidades”, explica, sobre a preferência pelo código aberto. A segurança é a outra razão: ao trabalhar sobre código aberto, mais depressa se chega à origem de uma falha e se resolve o problema, ao contrário do que acontece em soluções proprietárias, em que a correção depende exclusivamente do fabricante.
29.500 dispositivos sob vigilância nas eleições
Foi essa abordagem que levou a c a vencer um concurso público do Ministério da Administração Interna (MAI) para implementar uma plataforma de monitorização do sistema eleitoral português, em parceria com a Zabbix, plataforma de observabilidade também open source.
O contrato tem como finalidade garantir que a infraestrutura informática das eleições funciona sem falhas. A Secretaria-Geral do MAI é o organismo público responsável pela logística e pela tecnologia de todos os atos eleitorais em Portugal, sejam Legislativas, Europeias ou Autárquicas. A plataforma da Syone suporta os Cadernos Eleitorais Desmaterializados e garante a consulta eletrónica dos eleitores inscritos, bem como a unicidade do voto.
As eleições portuguesas não decorrem apenas em território nacional. Os cidadãos residentes no estrangeiro votam em embaixadas e consulados por todo o mundo, e a Syone monitoriza também a infraestrutura que liga estes pontos de votação globais ao sistema central em Portugal.
Na prática, a Syone monitoriza em rede cerca de 29.500 dispositivos distribuídos por mais de cem países, incluindo consulados e embaixadas. A plataforma acompanha o estado dos sistemas e as transações em curso, para detetar com rapidez falhas de rede ou sobrecargas, como picos que afetem o desempenho.
Eduardo Taborda sublinha que nenhum sistema está imune a falhas, mas que o essencial é a capacidade de antecipação e a rapidez de resposta. Em dia de eleições, a empresa mantém uma equipa de piquete preparada para intervir. “Felizmente não houve nenhuma ocorrência digna de referência”, afirma.
Replicar o modelo noutros países é “uma possibilidade natural”
Quanto à possibilidade de replicar este modelo noutros países europeus, Eduardo Taborda confirma que já há contactos em curso, embora seja cedo para garantir resultados. A empresa exporta cerca de 30% da faturação, mas nota que cada país tende a procurar soluções locais para um tema tão sensível como o processo eleitoral.
Sobre os apagões recentes da Cloudflare e da AWS, Eduardo Taborda afirma que não tiveram impacto significativo nos sistemas geridos pela Syone, graças a mecanismos de balanceamento de carga e de tolerância a falhas, também implementados no projeto do MAI. “Não há sistema que se possa dizer que está 100% imune a falhas”, reconhece, recordando ainda o apagão energético em Portugal e Espanha, em que os sistemas de resiliência demoraram a ser ativados.
Eduardo Taborda liga este tema à soberania tecnológica, área que a Syone acompanha há duas décadas através do evento Open Source Lisbon. Em junho, a Comissão Europeia anunciou um pacote de medidas nesta área, com destaque para o open source, a soberania de dados na cloud e a soberania tecnológica no setor energético. Questionado se essa pressão se traduz em mudanças reais, admite que, durante os 20 anos do evento, a perceção foi sobretudo de retórica. “É preciso que a solução proposta como alternativa seja muito boa, tão boa ou melhor do que aquela que as pessoas já usavam”, defende, citando tentativas como o LibreOffice ou o Google Docs, que não conseguiram impor-se na produtividade. Refere a Office.eu, plataforma holandesa em testes, como iniciativa que poderá resolver essas limitações.
Sobre o futuro, Eduarto Taborda recorda que Portugal já exporta soluções e talento há anos, citando os casos da Via Verde, dos cartões pré-pagos e da OutSystems. A limitação que identifica é a dimensão do país, que dificulta competir em escala com mercados internacionais.
__
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários