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A iniciativa reúne experiências imersivas, mesas interativas e realidade virtual (VR) para discutir como poderá ser o ensino em Portugal até 2050.
O objetivo, segundo a organização, é “tornar o futuro tangível, não apenas legível”.
Durante dois dias, representantes do setor da educação, académicos, professores e líderes institucionais participam em debates e experiências digitais centradas numa pergunta de partida: “E se tivéssemos de reinventar a educação, não para o mundo de ontem, mas para o mundo que rapidamente se aproxima?”
O destino final: uma “Carta pelo Futuro da Educação”, um documento coletivo com 10 compromissos assinados pelos participantes. Segundo os responsáveis pelo projeto, a carta não pretende fechar opções políticas, mas definir uma direção comum de longo prazo.
“Não é um relatório”, sublinha Helena, uma agente de inteligência artificial criada para representar uma voz vinda de 2050 e que interagiu com professores e entidades ligadas ao ensino ao longo do evento.
O projeto foi desenvolvido pela consultora The Long Game, responsável pela metodologia, investigação, construção de cenários e conceção do evento. O trabalho incluiu inquéritos, entrevistas e sessões intensivas de análise, das quais resultaram 98 forças de mudança consideradas relevantes para o futuro da educação. Essas tendências foram agrupadas em 10 “constelações estratégicas”.
O futuro da educação não pode ser desenhado por um único ator, uma única geração ou uma única instituição. Exige vozes diferentes a apontar para o mesmo horizonte, refere a organização.
Como poderá ser a escola em 2050?
Um dos exercícios centrais do projeto consistiu na criação de quatro cenários possíveis para o futuro da educação. Nenhum deles é apresentado como previsão, mas antes como “lógicas contrastantes” que ajudam a pensar riscos, escolhas e prioridades.
Apesar das diferenças, há um elemento comum: em quase todos os futuros, o professor deixa de ser o transmissor central de conteúdos.
"O professor tem de ser um comunicador para além das palavras. A linguagem corporal continua a ser fundamental e muitas vezes é esquecida, defendeu Carlos Pedro Dias, um dos fundadores da SIC e professor na UAL e na Universidade Europeia (IADE)."
1. Grande Desaceleração
Neste cenário, a sociedade reage de forma defensiva à inteligência artificial. A escola torna-se mais analógica, controlada e centrada nos exames nacionais, funcionando quase como um “santuário” humano face à tecnologia.
"Será que a tecnologia vai ser irreversível? Pode acontecer algo, até negativo, que nos leve a parar. A escola e a universidade podem tornar-se o último recurso onde continuamos a ser humanos, exemplificou Paulo Carvalho, co-fundador da The Long Game."
2. Resiliência Reativa
Aqui, a educação vive em modo de sobrevivência permanente, num contexto marcado por crises climáticas, instabilidade económica e migrações. As escolas adaptam-se continuamente às emergências, mas perdem estabilidade, continuidade e qualidade.
3. Da Dualização à Rede IA
Neste cenário, a aprendizagem fragmenta-se num ecossistema digital distribuído. A escola tradicional perde centralidade e surgem novos atores: tutores de IA, microcredenciais e plataformas globais de aprendizagem.
O diploma deixa de ter o monopólio da validação de competências. Quem possui capital digital adapta-se melhor; os restantes ficam para trás.
4. Estado Orquestrador de Proximidade
O quarto cenário aposta num modelo híbrido: o Estado define padrões nacionais, enquanto municípios e comunidades locais executam políticas educativas com maior autonomia.
A escola funciona como hub comunitário ligado ao território, com sistemas de IA auditáveis ao serviço da personalização da aprendizagem. Segundo os autores do estudo, é o cenário “mais promissor”, mas também o mais exigente de concretizar.
"A partir destes cenários criámos uma Carta pelo Futuro da Educação em Portugal. Queremos que estes capítulos se transformem em guias para os próximos anos, apelou Paulo Carvalho."
Os 10 compromissos
A Carta pelo Futuro da Educação assenta em dez capítulos centrais:
- 1. Aprendizagem centrada na pessoa, com tecnologia ao serviço do ensino humano;
- 2. Valorização do professor como função estratégica para o futuro;
- 3. Currículos vivos e orientados para competências do futuro;
- 4. Promoção do bem-estar, saúde mental e inclusão;
- 5. Plataformas abertas de aprendizagem ligadas ao território e às comunidades;
- 6. Sustentabilidade, resiliência e literacia climática;
- 7. Corresponsabilização entre Estado, instituições, famílias e sociedade civil;
- 8. Aprendizagem ao longo da vida e novas formas de credenciação;
- 9. Avaliação adaptada aos diferentes ritmos de aprendizagem;
- 10. Resposta ao envelhecimento, diversidade cultural e desigualdades regionais.
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