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Vivemos numa sociedade na qual grande parte da identidade é construída em volta do “eu profissional”. O que estás a estudar? Em que é que trabalhas? São das primeiras perguntas que se ouvem quando se está a conhecer uma nova pessoa. Na nossa cultura, aquilo que somos é esperado que esteja intimamente ligado ao que fazemos e esta pode ser uma das razões pela qual é tão difícil permitir-nos não estar constantemente a produzir.
O cérebro habitua-se a um estado de alerta e de resolução de problemas que persiste em estar ativado mesmo nos momentos de descanso porque, ao abrandar, a pessoa pode sentir um vazio que durante o período laboral está ocupado com responsabilidades e listas de tarefas.
Os primeiros dias de férias são de adaptação a um novo ritmo, o sistema nervoso precisa de tempo para acomodar a transição do ritmo acelerado para um ritmo mais calmo. Muitas pessoas entram de férias, mas continuam mentalmente em esforço. Ora porque planeiam tudo ao minuto, ora porque sentem pressão para “aproveitar” todos os momentos. Contudo, devemos considerar a diferença entre lazer e recuperação.
Os dias de férias fazem parte do direito do trabalho, porque são necessários para a saúde e tal como os músculos precisam dos dias de descanso entre treinos para recuperar e fortalecer, o nosso sistema nervoso precisa de descanso para recuperar os recursos necessários para o dia-a-dia. Lazer é definido por atividades agradáveis para se fazer nos tempos livres; Recuperação é passar e melhorar de um estado para o outro após um período de esforço. Neste sentido, e não havendo uma maneira “certa”de aproveitar as férias, o mais importante é dar espaço ao real descanso. Descansar não é perder tempo e não precisa ser merecido; descansar faz parte do processo recuperação inerente ao período de férias.
Para que durante este verão se permita recuperar experimente refletir sobre os seguintes pontos:
-Aceitar que “desligar”demora:Desligue devagar; ative as respostas automáticas dos e-mails; informe as pessoas à sua volta sobre a aproximação da sua ausência e comece a decidir aceitar ou não tarefas que pode não ter tempo de concluir até às suas férias.
- Não transforme as suas férias numa lista interminável de objetivos: agende momentos especificamente para descansar sem qualquer tarefa associada.
- Dê espaço ao aborrecimento e ao ócio: É no aborrecimento que o nosso cérebro desenvolve a capacidade criativa e recupera mentalmente.
- Esteja presente: ponha o telemóvel de lado e ligue-se às pessoas à sua volta, converse, ria, oiça música, sinta o sol na pele.
- Não compare as suas férias às que vê nas redes sociais: Não precisa estar em todos os lugares da moda ou em todas as festas. Não existe uma forma certa de estar de férias.
Somos muito mais do que a identidade profissional, temos partes que precisam existir para que nos sintamos satisfeitos com as várias áreas das nossas vidas. Aproveite as férias, divirta-se e aborreça-se.
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