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Starmer tenta resistir, procura explorar “o regresso do Reino Unido ao coração da Europa” como mote para o ressurgimento. Mas muitos deputados trabalhistas temem perder o lugar na próxima eleição querem ativar o processo interno de mudança de líder e de primeiro-ministro, através de uma “transição suave, programada, a concretizar-se nos próximos meses”. Andy Burnham, atual presidente do município de Manchester aparece como alternativa que se propõe dar novo fôlego de ideias à esquerda tradicional que, por meio mundo, tem aparecido aos cidadãos sem respostas sedutoras para os eleitores do tempo atual.
O divórcio que se propaga entre os cidadãos eleitores e os partidos tradicionais de esquerda ou centro-esquerda voltou a ficar exposto nas eleições locais que decorreram em 7 de maio em Inglaterra e nacionais na Escócia e no País de Gales. Neste caso britânico, não é apenas o fracasso do Labour, é também o dos Tories, o velho partido conservador, o partido político mais antigo em todo o Ocidente, que também sai humilhado, relegado para lugares de terceira linha que os coloca em crise existencial.
Sorri e triunfa Nigel Farage, o rei do Brexit que, com a retórica anti-migrantes do discurso de direita extrema do partido ultranacionalista Reform UK, passou da irrelevância para, na semana passada, 1500 eleitos locais, 28% do voto nacional, enquanto o Labour de Keir Starmer fica pelos 19% e perde 1200 lugares. Os trabalhistas saem mesmo liquefeitos das eleições no País de Gales, onde ao longo do último século tiveram sempre maioria e, agora, a “First Minister” Eluned Morgan nem sequer conseguiu ser eleita.
A “Red Wall”, a muralha da esquerda trabalhista nas Midlands e no norte operário de Inglaterra foi derrubada e a região, que nem tem grande número de migrantes, é agora feudo do ultra Farage.
Os nacionalistas SNP continuam a vencer na Escócia. Em Gales, caíram os tabus e o triunfo é dos independentistas Plaid Cymru.
A análise a todos os resultados mostra que o Reform UK rouba muito voto à direita e algum à esquerda; outro partido fora do sistema, o dos Verdes, liderado pelo eco-populista Zack Polanski que, ao juntar no discurso político prioridade à ação climática e à justiça social emerge como estrela política de jovens e de milhões de migrantes no Reino Unido, arrebatou o voto des esquerda nos bairros de Londres e tudo em volta.
O primeiro-ministro Keir Starmer, invoca a ampla maioria absoluta (411 entre os 650 deputados no parlamento britânico) para repetir que não se demite e vai “dar a volta à insatisfação”. A maioria que o elegeu passou a testá-lo. Parece ter os dias políticos contados.
Num país, como o Reino Unido, onde a precaridade e a insegurança económica avançam, seria de imaginar que a mensagem dos trabalhistas poderia ser uma bóia para o eleitorado à deriva. Mas Keir Starmer não soube e não sabe falar ao povo. É uma tendência que alastra, pesada, pelas lideranças dos partidos nas esquerdas ou centro-esquerda.
Nos EUA, os democratas de Kamala Harris não conseguiram travar a vaga trumpista de há dois anos. E, agora, mesmo com muitos dececionados com o MAGA, os democratas não estão a conseguir alguma liderança sedutora.
Na Alemanha, os social-democratas SPD, estão a ficar para trás, ultrapassados pela extrema-direita AfD.
Em França, o PSF é uma sombra do partido que recebeu 51% dos votos no tempo de Mitterand. A direita anti-migrantes da família Le Pen está em vias de chegar à presidência daqui a um ano.
As questões económicas, sociais e identitárias deveriam ser terreno de predileção para os partidos no lado esquerdo. Mas, por quase toda a parte, não aparecem ideias galvanizadoras para eleitorados rodeados por discursos populistas.
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