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Segundo várias fontes independentes da política e não relacionadas afirmam que cerca de 60 milhões de adultos (1,5% da população mundial) detém cerca de 50% da riqueza da Terra. Na outra ponta do espectro, os mais pobres (entre 50% e 82%, conforme as fontes) possuem apenas entre 1% e 12% do “bolo”.

Dito de outra maneira: 50% da riqueza mundial pertence aos 1% mais abonados, e 10% desse grupo possuem 85% da riqueza. Por outro lado, os 50% mais pobres ficam com os 15% restantes.

O leitor ficou tonto com estes valores, indignado ou desinteressado, considerando que na História do Mundo sempre houve muito ricos e muito pobres?
O problema não é a diferença entre uns e outros; o problema é que essa diferença tem aumentado todos os anos, contrariando a ideia de que caminhamos para uma melhor distribuição de riqueza.

O economista (francês, de esquerda) Thomas Piketty afirma que, descartando outros fatores, sempre que os juros sobem mais do que a inflação, os ricos ficam automaticamente mais ricos. Por exemplo, em Portugal, em 2025 surgiram seis mil novos milionários, responsáveis por um crescimento de 7% da riqueza média por adulto, enquanto as classes média e baixa continuaram com o mesmo nível de rendimento desde 2020.

Pode acreditar-se ou não na tese de Piketty, mas o crescimento histórico dos espaços económicos mundiais que explicam, sem sombra de dúvida, o crescimento da riqueza dos tais 1%. É fácil de perceber: quando um empreendedor vende os seus produtos para um mercado de, digamos 100 milhões, ganha mais do que se vendesse para um mercado de dez milhões.

A globalização, o livre comércio, as vendas online e os progressos nos transportes, criaram mercados gigantescos que dão lucros faraónicos, mesmo sem aumentar o preço unitário dos produtos (ou serviços). Pelo contrário, permitem as chamadas economias de escala na produção. É o caso, por exemplo, da Apple, que em 2024 vendeu 232 milhões de iPhones no mercado mundial. Se o seu mercado fosse apenas os Estados Unidos, com 342 milhões de habitantes de todas as idades, quantos iPhones poderia vender?

No século XIX, a industrialização (ou seja, produção em massa) viu o aparecimento dos primeiros milionários. (Para simplificar, todos os valores aqui apresentados são em dólares.) Foi preciso chegar ao século XX para surgir o primeiro bilionário, Nelson Rockfeller, dono da Standard Oil.
E foi preciso chegar ao século XXI para termos o primeiro trilionário, Elon Musk. E o dinheiro já não está na produção industrial, mas numa área que 100 anos atrás não existia nem teoricamente: a tecnologia digital.

Já agora, por curiosidade, aqui estão os dez homens mais ricos do mundo e os seus investimentos principais (a este nível já não falamos em dinheiro ou em capital, mas sim em investimento) A lista foi elaborada pela revista Forbes, pouco antes de Musk atingir a marca do trilião.

1.º Elon Musk – $997 biliões (Tesla, SpaceX)
2.º Larry Page – $293 biliões (Google)
3.º Sergey Brin – $270 biliões (Google)
4.º Jeff Bezos – $252 biliões (Amazon)
5.º Michael Dell – $220 biliões (Dell Technologies)
6.º Mark Zuckerberg – $200 biliões (Facebook)
7.º Larry Ellison – $184 biliões (Oracle)
8.º Jensen Huang – $168 biliões (semicondutores)
9.º Bernard Arnault e família – $151 biliões (LVMH)
10.º Warren Buffett – $150 biliões (Berkshire Hathaway)

Os muito ricos em geral e os milionários em particular sempre se interessaram por política, para garantir proteção legislativa e legal para os seus interesses. Ou seja, como toda a gente admite, quem manda nos países e no mundo são eles. Mas nos últimos anos a postura deles mudou.

Primeiro, a maioria tornou-se conservadora/reacionária/autocrática; segundo, decidiram ter uma maior participação na política, quer bancando os políticos que servem os seus interesses, quer entrando na política diretamente.

Elon Musk, entrou para a Administração Trump, apoia abertamente os partidos europeus de extrema direita e há fotografias dele a fazer a saudação nazi. Será o mais exuberante, mas não o único. No ano passado, David Ellison, filho de Larry e dono da Skydance Media, comprou a Paramount, que inclui a rede de televisão CBS, e colocou na direção Bari Weiss, um conhecido reacionário sem experiência de mídia. Foi através deste esquema que o famoso talk-show de Stephen Colbert saiu do ar. A Paramount agora está a tentar adquirir a Warner Brothers, o que daria aos Elison o controle da CNN. Jeff Bezos comprou o jornal icónico Washington Post e começou a intervir na linha editorial a favor de Trump. Todas estas aquisições só são possíveis porque têm apoio político. Não só do Executivo, mas também do Judiciário, enquanto o Legislativo não se mexe. Uma mão lava a outra...

O número de bilionários nos Estados Unidos subiu 85% entre 2010 e 2023, de 404 para 748, mas as suas contribuições aos partidos e aos políticos aumentou 1700%.O economista Gabriel. Zucman fez um levantamento dos ultra-mega-ricos: 19 pessoas, ou seja 0,00001% da população norte americana e afirma que a concentração de investimento de hoje é muito maior do que na famosa “Idade do Ouro” (Guilded Age) do final do século XIX. Diz ele: “Suponhamos que gastar um bilião em influência política daria ao investidor 1% de lucro.

Uma pessoa com um capital de “apenas” 30 biliões acharia que não vale a pena porque teria 300 milhões de retorno – uma perda de 70%; mas outra pessoa com um capital de 300 biliões ganharia três biliões pelo mesmo investimento de um bilião em influência política – um lucro de 200%”.

Por outro lado, só pessoas com um capital imenso podem investir em média; Musk gastou 44 biliões para comprar o Twitter; 20 anos antes não havia ninguém com tanto dinheiro.”

Chegamos, portanto, a uma altura da História em que os megamilionários estão mais interessados em política do que em ganhar dinheiro – já ganham tanto que nem lhe podem dar uso. Musk transformou o Twitter para promover a supremacia branca e um espaço seguro para os nazis; é a sua agenda pessoal e os seus valores que lhe custam apenas 40% do capital.

O que pudemos fazer quanto a esta situação? Individualmente nada, coletivamente muito pouco. Quanto a mim, vou comprar uns Certificados de Aforro. O caminho começa com primeiro passo!

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