Jimmy Lai condenado. Enfrenta prisão perpétua em Hong Kong onde manda o poder de Pequim

Jimmy Lai, o magnata dos media e figura de destaque do movimento pró-democracia em Hong Kong, detido há já cinco anos para julgamento, foi agora declarado culpado de “conluio com forças estrangeiras” e de “sedição” e enfrenta a perspetiva de passar o resto da vida atrás das grades.
Jimmy Lai condenado. Enfrenta prisão perpétua em Hong Kong onde manda o poder de Pequim

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Este veredicto de culpado foi proferido pelo Tribunal Superior de Hong Kong, conhecido por aplicar, em modo com encenação de justiça respeitadora de direitos, a severa justiça política ditada de Pequim pelo Partido Comunista da China. A declaração de culpado será culminado pelo anúncio, em janeiro, da pena aplicada. Prevê-se que seja a de prisão perpétua para este homem de 77 anos.

Na juventude, Jimmy Lai fugiu da China maoísta para construir vida no paraíso capitalista de Hong Kong. Ganhou renome e o ódio feroz da elite de Pequim após fundar e assumir a direção do Apple Daily que imediatamente se impôs como o mais popular e lido jornal em língua chinesa em Hong Kong. Este Apple Daily, desafiou durante muito tempo a cúpula do Partido Comunista e fez campanha pela democratização deste pequeno território onde deveria ser respeitado o princípio de "um país, dois sistemas", negociado entre Deng Xiaoping e Margaret Thatcher na década de 1980. Este acordo deveria durar cinquenta anos. Mas foi varrido menos de um quarto de século após a transferência de soberania, em 1998, na repressão dos protestos pró-democracia que abalaram Hong Kong a partir de 2019.

De que crime, realmente, estamos a falar na condenação Jimmy Lai? Um mês após a aprovação da lei de Segurança Nacional de Hong Kong, imposta por Pequim em Julho de 2020, em adenda aos tratados firmados com o Reino Unido, o campo pró-democracia organizou uma frente unida na preparação para as eleições legislativas. Cenário impensável para a hierarquia chinesa. A lei de Segurança Nacional criminaliza qualquer crítica ao sistema pró-Pequim, em nome da estabilidade no território. Redigida em termos vagos, esta lei enquadra a punição de qualquer ato considerado contrário aos interesses da China. É aqui que está a cobertura à condenação de Jimmy Lai, pelo publicado no Apple Daily e pelos contactos que manteve para obter informações.  Incorreu na suspeita de ter o objetivo de "derrubar o sistema político vigente".

Na realidade, o Apple Daily ganhou ímpeto e leitores na época dessas eleições locais. As eleições  traduziram um enorme voto de protesto: três quartos dos eleitores vieram a apoiar os candidatos pró-democracia. Foi um choque tanto para o governo de Hong Kong como para Pequim. O poder comandado pelo PC da China decidiu agir para cortar a rebeldia. Jamais se repetiria.

Foi de imediato iniciada a perseguição aos líderes do movimento pró-democracia. Sucederam-se acusações e detenções. Tudo em justiça política sumária: 45 arguidos foram condenados por "conspiração" e por colocarem em risco a segurança do Estado, foram condenados a penas de prisão que variam entre os 4 e os 10 anos, em conformidade com a nova lei de Segurança Nacional.

A justiça em Hong Kong resvalou para a arbitrariedade. Foi o fim da estabilidade jurídica, o fim do princípio "um país, dois sistemas", consagrado em tratados por um período de cinquenta anos durante a transferência de soberania em 1997.

Chegou a vez do ataque do aparelho de poder político-judicial a Jimmy Lai. O Apple Daily foi fechado. Jimmy Lai acusado de ter usado o jornal para jornal como plataforma para "incentivar a oposição ao governo de Hong Kong", também de incitar os Estados Unidos e outros países a impor sanções ou realizar "atividades hostis" contra a China e Hong Kong, em resposta à repressão do movimento pró-democracia.

Foi invocado que no auge dos protestos de 2019/2020  em Hong Kong, Lai foi a Washington, onde se encontrou, entre outros, com o então vice-presidente Mike Pence. Esses encontros foram considerados indícios de conluio.

Jimmy Lai foi detido e está mais de 1.800 dias em regime de solitária. Ao ser, esta semana, declarado culpado, fica exposto à prisão perpétua. De Washington, a Casa Branca está a exigir que seja imediatamente libertado. Talvez o poder chinês possa vir a aceitar incluí-lo nalguma negociação.

Os animadores do movimento pró-democracia e os defensores da liberalização política em Hong Kong estão agora exilados, silenciados ou presos. O sistema comandado por Pequim está a submeter toda a oposição.

Hong Kong não perdeu nada do seu esplendor, quando os seus arranha-céus se iluminam como uma floresta de pinheiros de Natal que abraça uma das mais belas baías do mundo. As boutiques de luxo proliferam, os navios de cruzeiro congestionam o porto e os andaimes de bambu revestem as centenas de novos arranha-céus – há tragédias como o mega incendio que no final de novembro atingiu sete desses arranha-céus de um complexo residencial, causando a morte de, pelo menos, 160 pessoas. Levantaram-se novos movimentos de protesto contra o aparelho político do regime.

Mas tal como os cartazes de propaganda do Partido Comunista são omnipresentes, o regime também submete tudo e todos.

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